A ÁGUIA E A GALINHA

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terça-feira, 15 de junho de 2010

POR QUE OS HOMENS BATEM NAS MULHERES???


MULHERES ESPANCADAS.

"O HOMEM QUE ESPANCA A MULHER."

Através dos trabalhos desenvolvidos pelo Centro de Estudos e Pesquisas do Desenvolvimento da Sexualidade Humana, pudemos constatar alguns aspectos do perfil psicológico do "marido agressivo".
Basicamente em todos os casos, o homem possuia uma forte "relação de posse" sobre a mulher. Seu relacionamento com a mulher desenvolve-se como se ela fosse uma "propriedade sua". Todos os casos apresentavam uma forte tendência ao "ciúme obsessivo".
Vemos como ciúme obsessivo os casos onde as "cenas" são constantes e infundadas. O ciúme é desencadeado por qualquer motivo, por mais insignificante que aparente. Concluímos que este tipo de homem possui forte "grau de imaturidade emocional e afetiva".
É um adulto com reações emocionais e afetivas de uma criança, pois possui grande dificuldade de lidar com "frustrações" e com a própria "agressividade". Suas reações diante de frustrações são "primitivas ou infantis".
Por exemplo: tal "brinquedo" me desagrada, eu o "destruo"."Se você não brincar como eu quero eu não brinco mais e, se insistir eu te bato".
Em todos os casos o indivíduo agressivo teve uma infância marcada por situações de agressividade. Em sua maioria, vieram de lares onde imperava o "exercício de autoridade". Pais que constantemente brigavam fisica ou verbalmente diante da criança. Pais que educavam usando "o bater como forma pedagógica" para qualquer situação. Pais que usavam constantes "ameaças" para conseguir da criança um comportamento desejado.

PORQUE O HOMEM BATE NA MULHER

Vamos separar em itens os fatores desencadeantes de situações de agressividade, embora em muitos casos eles encontram-se entrelaçados ou interligados. A separação nos serve para um melhor entendimento.

a) Problemas mentais - grande parte dos homens agressivos apresenta traços psicopáticos e, a situação onde ocorre a agressividade funciona como um "surto da doença". Boa parte apresenta traços "paranóides", isto é, apresentam fantasias, medos e idéias persecutórias profundamente irracionais.
Possuem fortes tendências à auto-destruição e auto-agressividade. A mulher funciona como uma válvula para suas tensões e seus "fantasmas". Ele transfere para a mulher seus temores e tenta destruí-los nela, o que evidentemente, pode gerar consequências gravíssimas. São os casos onde a mulher é barbaramente espancada.
Outro fato é a forma "amor/ódio" em relação a figura materna(que ele carrega da infância para a vida adulta). Agride a "mãe" na mulher logo depois, torna-se carinhoso e amoroso, demonstrando estar muito arrependido. Só que a situação tende a repetir-se sempre.

b) Falta de diálogo - na maior parte dos casais, onde a mulher sofre agressões, pudemos observar uma quase total falta de diálogo. São aqueles casos onde o homem "tem sempre razão". São aqueles casais com vasto histórico de brigas verbais. O homem que chega à agressão física é aquele que não admite estar errado e "impõe-se pela força física". Popularmente é "aquele que não dá o braço a torcer". Nestes casos, observa-se que o tipo de mulher envolvida é aquela que foi gerada e educada em um lar onde imperava o exercício de poder(conforme citamos anteriormente).
Em seu histórico encontramos sempre : "papai brigava sempre com mamãe". "Meu pai era muito severo, batia em minha mãe e, se eu chorasse apanhava também". "Me lembro de muitas discussões entre meu pai e minha mãe, na minha infância". E assim por diante.

c) Marido alcoolisado - em grande partes dos casos o homem estava embriagado no momento da agressão. Em outros a bebida é lugar comum na vida do agressor. O homem que chega à agressão pela bebida, tem uma forte censura psicológica e grande insegurança quanto a sua masculinidade. A bebida age como liberadora desta censura e desencadeia um auto grau de agressividade que estava reprimida. São aqueles "tipos" que quando embriagados dizem "faço e aconteço", são os "machões"(movidos à alcoól), etc. Então em casa eles descarregam em sua mulher suas "incompetências e insatisfações".

d) Dificuldades sexuais - em grande parte dos casos observa-se total falta de adequação sexual. A insatisfação sexual gera discórdia e insegurança, podendo levar a situações de agressividade. Em sua maioria, os agressores sofrem de dificuldades com a ereção. Outros, são tipo ansiosos com processos de ejaculação rápida. Quase sempre a mulher não obtem satisfação sexual com estes parceiros.
Outro tipo é o parceiro "sadomasoquista", aquele que agride, depois torna-se extremamente carinhoso e procura a mulher, sexualmente, como uma forma de reconciliação.
Outros são aqueles que no momento do orgasmo agridem física ou verbalmente, diminuindo a mulher e aumentando sua própria satisfação.

e) Auto-imagem frágil - homens inseguros quanto a sua masculinidade ou com o "papel de homem", sentem-se muito abaixo de suas próprias expectativas no meio social. Não conseguem cumprir suas próprias exigências do que é ser um "verdadeiro homem" sentindo que os outros são mais capazes. No meio sócio-profissional são muito inseguros e em casa afirmam-se na mulher. "Em casa quem manda sou eu", "só eu canto de galo","comigo é assim , saiu da linha leva ..." e assim por diante.

" A MULHER QUE APANHA DO HOMEM."

Vejamos alguns aspectos do perfil psicológico da mulher agredida.

a) A aceitação
Existem casos em que a mulher ocupa certa cumplicidade na manutenção do comportamento agressivo do parceiro. Mulheres originadas em famílias onde a violência ou os castigos físicos faziam parte do cotidiano, podem possuir marcas em sua estruturação, que na vida adulta são desencadeantes de situações agressivas. Inconscientemente, buscam "repetir" situações primitivas em suas relações. Estas marcas podem influenciar também na escolha do parceiro. Este tipo de mulher pode optar por parceiros propensos a agressividade, como forma de solucionar problemas. Na etapa do namoro chegam a admirar o comportamento agressivo do parceiro. Namorados "brigões" acabam sendo vistos como tipos protetores e a atitude agressiva do parceiro contra os outros, como forma de estar protegida. Parceiros ciumentos acabam sendo "bem vistos" pois, o ciúme figura como forma de "amor".
Podemos afirmar, que certas famílias praticamente educam as filhas na aceitação de atitudes agressivas por parte do homem. Elas educam a menina como um elemeto "frágil" e "necessitada de proteção". Em alguns casos, na infância, "o apanhar" era registrado como uma forma de afeto, era estar sendo protegida (dos próprios erros) e querida. Em adulta, esta mulher pode sentir as atitudes agressivas como "estar sendo gostada".
Fica claro que nos casos citados, a mulher é portadora de problemas emocionais e precisa de ajuda psicológica para elaborar estes "fantasmas"da infância.

b) As dificuldades econômicas
grande parte das mulheres que permanecem em relacionamentos marcados por situações de agressividade verbal e/ou física, alegam não ter condições de se manter e nem aos filhos, se sairem da relação. Este ponto é aceito de uma maneira geral, pela forma "machista" da sociedade, onde o homem tem no dinheiro uma forma de controle sobre a mulher. Em geral, a mulher que sofre este tipo de pressão e agressão, já aceitava a situação na fase do namoro e, na maioria dos casos vem de famílias onde sua liberdade era controlada pelo dinheiro.
Pais que ameaçam e/ou cortam o apôio financeiro da filha, no sentido de obter "respeito, obediência, etc." podem originar tamanha insegurança na filha que posteriormente ela se sente incapaz, de sobreviver sem estar sendo "protegida" por um homem.
A alegação : "como vou fazer para sobreviver e/ou cuidar dos filhos se não tenho emprego nem dinheiro". É a justificativa mais comum na manutenção da mulher nos relacionamentos agressivos. De certa forma na atual conjuntura este é o maior impecilho na solução destes casos.

c) Sentimentos de culpa
boa parte das mulheres que permanecem em relações agressivas, sentem-se culpadas por não ter realizado um casamento tido como "ideal". Muitas acabam escondendo que apanham dos parceiros. Foram educadas para cumprir um papel : "o papel de mulher bem casada". Sentem-se incapazes de aceitar o fato de que erraram na escolha. Realizar um "bom casamento" é de certa forma um "objetivo de vida" para este tipo de mulher. Falhar neste intento, acaba sendo "pior" que a manutenção de uma péssima relação. Algumas acabam aceitando a idéia que é "o seu destino".
Como em geral, o parceiro agressivo torna-se "muito afetivo" depois de situações violentas, a mulher vive na esperança de que a relação "mude com o tempo". Desta forma, o tempo vai passando, as dificuldades aumentando e a solução se complicando. "Meu casamento não é de todo ruim e os bons momentos (raros) acabam compensando este lado negativo". Assim permanecem, sem vislumbrar uma saída.

" O QUE FAZER? "

a) "Aguentar o destino"
esta primeira opção, embora pareça um tanto irracional, é tomada por muitas mulheres. Conforme vimos grande parte das mulheres esperam "que com o tempo mude". Isto ocorre, porque de um modo geral o parceiro agressivo, torna-se carinhoso, após a ocorrência de situações agressivas. É importante lembrar que estas mudanças ocorrem, não por arrependimento da ação, e sim por sentimentos de culpa gerados por fantasias primitivas (vindas da infância). Acreditando nestas súbitas melhoras e achando que elas podem ser ampliadas, a mulher entra no "jogo" e tenta então tornar-se mais carinhosa ou então aproveita a situação para criticar o fato ocorrido. Qualquer das duas opções não impedem a repetição das situações agressivas. A fonte geradora da agressão é alicerçada na má estruturação da personalidade e, portanto se não forem trabalhadas a nível psicoterápico continuarão persistindo.

b) " Procurar ajuda na família "
em muitos casos a ajuda da família pode ser valiosa, pelo simples fato da situação agressiva não estar encoberta. Muitas mulheres criam "histórias "para justificar o aparecimento de ferimentos". Agindo assim, praticamente estão dando o aval para a repetição das agressões. A ajuda da familia do agressor pode ser de grande valia pois, os pais tem certa força hierárquica sobre o agressor.

c) "Ajuda profissional "
procurar este tipo de ajuda é sempre uma boa medida pois, grande parte dos agressores tem certa consciência sobre sua falha e podem aceitar esta ajuda.

"Um líder religioso"
pode ser uma saída em vários casos pois, além do fato de eles estarem habilitados para este tipo de situação, tem também o fator hierárquico. Esta pode ser uma forma de "refazer o plano de vida".

"Um psicoterapeuta "
é o profissional mais habilitado para estes tipos de casos. Em especial os de formação para "Terapia de casais". Na terapia de casais, aprende-se a refazer o plano de vida e superar a dificuldades que levam à agressão.

"Um advogado"
é a saída, quando todas as outras possibilidades forem esgotadas. Esta procura deve ser usada na organização de um processo de separação. Em muitos casos a separação acaba sendo válida, pois a manutenção de uma vida a dois, marcada por situações de violência é ruim para a mulher e péssima para a formação dos filhos, os que mais sofrem com este tipo de situação.

"Centros de ajuda comunitária"
são clínicas de atendimento gratuíto, grupos de apôio comunitário, "Delegacia da Mulher" , clínicas de universidades, e outros locais onde encontrar ajuda. Isto se você não tem condições financeiras para arcar com o onus de uma ajuda profissional.
Autor José Roberto Paiva
Publicado em 16/03/99



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