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A ÁGUIA E A GALINHA

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Conheçam o meu livro: MARIA, MADALENA,AMÉLIA, CÚ.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Mulher é mantida em cárcere privado pelo marido


Mulher é mantida em cárcere privado pelo marido

A jovem, de 30 anos, que estava presa em casa, foi encontrada desidratada e desnutrida

Foto: CARLOS ROBERTO O vendedor José Geraldo nega que mantinha Solange de Paula (no  detalhe) presa em casa
O vendedor José Geraldo nega que mantinha Solange de Paula (no detalhe) presa em casa

Cárcere doméstico

A coragem de denunciar a violência que Roberta* sofria surgiu como um ato de sobrevivência. A dona de casa, de 32 anos, não aguentou mais a pressão de viver como refém do marido alcoólatra. O casal morava até semana passada numa chácara no interior de Goías numa situação de cárcere doméstico. "Tudo o que ele fazia eu tinha que estar junto. Se ia campinar o mato, me obrigava a ficar do lado dele. Ele achava que eu ia fugir da chácara e não me deixava fazer nada sozinha", lembra. A companhia constante do marido era marcada por momentos de violência verbal e física. Xingamentos, chutes e puxões de cabelo faziam parte do dia a dia até a última segunda-feira, quando Roberta quase morreu nas mãos do algoz que tinha dentro de casa.

Ela levou golpes de facão por todo o corpo e só conseguiu escapar da ira do marido quando ele viu a quantidade de sangue derramado no chão. "Quando percebeu que os cortes na cabeça, no rosto e nas costas estavam profundos, me largou e chamou o dono da chácara para me levar ao hospital. Mandou eu dizer no hospital que tinha brigado com uma mulher num bar. Mas, quando vi o policial, não tive dúvidas em denunciá-lo. Ele foi preso na frente do hospital", conta a vítima. Roberta agora está na Casa Abrigo - local sigiloso de proteção às vítimas de violência doméstica oferecido pelo GDF - e espera melhorar seu estado de saúde para projetar uma nova vida. "As mulheres têm que denunciar os agressores antes de estarem mortas", aconselha.
dição Gterra

Solange dos Santos Nascimento de Paula, 30 anos, que viria sendo mantida em cárcere privado há cerca de três anos pelo marido foi resgatada na tarde desta segunda-feira (25) por policiais militares e uma equipe do Samu no porão de uma casa na Rua Monsenhor Horta, Bairro Eldorado, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.



Ela foi encaminhada para o Hospital Municipal de Contagem, onde foi constatado quadro de anemia profunda, alto nível de desnutrição (caquexia) e forte desidratação, além de uma ferida na perna direita e nos olhos. Há suspeita que a mulher, que apresenta um grande volume no ventre possa estar grávida. O estado deplorável da mulher foi resgistrado por imagens captadas por telefones celulares dos militares da 186ª Cia do 39º BPM (Contagem) que solicitaram anonimato.



O aposentado José Geraldo de Paula, 45 anos, que trabalha como vendedor de salgados na Avenina Olegário Maciel, em Belo Horizonte, foi preso em flagrante. Levado para a 6ª Delegacia Seccional de Contagem, ele negou manter a mulher em casa contra a vontade dela. Ele alegou, que, por várias vezes, tentou levar a mulher ao médico - inclusive disse ter marcado uma consulta particular no Hospital Santa Helena pela qual teria pago R$ 90 - mas a mulher teria recusado a ir. Ao ser resgatada em sua cama, ela teria confirmado essa versão.



O aposentado Paulo Aniceto Monteiro, 64 anos, disse ao HOJE EM DIA que é namorado de Helena Andrade, senhoria do casal, que é de Fidalgo (MG) e estaria morando no local há três anos. Ele contou que sempre perguntava pela mulher de José Geraldo, e ele dizia que "ela estava bem". Monteiro disse que, sempre ao sair, o portão que dava acesso à casa do casal ficava trancado. Ele disse que, nesta segunda-feira (25), após ouvirem gritos de socorro, chamaram o soldador Ivan Rodrigues de Souza, 30 anos, que mora nas imediações, que entrou na casa. "Ao entrar no local, fiquei chocado com o estado da mulher. Ela se queixava de dores na coluna e, ao encostar nela, ela gritou de dor. Foi quando chamei a PM e o Samu", disse.



O aposentado seria interrogado ainda nesta segunda-feira (25) pelo delegado de plantão. Ele poderia ser autuado em flagrante, a princípio, por maus tratos e omissão de socorro, segundo informaram fontes da Polícia Civil.


TENHAM UMA BOA NOITE!!
ÓTIMO FINAL DE SEMANA!!

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Depressão em mulheres vitima de violência doméstica wilton batista cabral [wilton]


Resumo:

Violência doméstica passou a ser um dos grandes problemas enfrentado por mulheres que são violentadas fisicamente ou de qualquer outra forma em suas casas, onde essa violência traz sofrimentos psicológicos, físico e social significativo que perduram por muito tempo, contribuindo assim para o desenvolvimento prejudicial em todo contexto familiar, pois as crianças e os demais componentes dessa família também sofrem, essas mulheres apresentam com o passar do tempo um comportamento depressivo, onde percebe-se também uma significativa baixa auto-estima, porém esse processo de baixa auto-estima não fica claro se é em decorrência a violência domestica, sofrida por estas mulheres, ou a violência domestica sofrida por elas é em decorrência de sua baixa auto-estima, ou seja um modo de ser no mundo.

Palavra-chave: violência doméstica, sofrimento, baixa auto-estima, depressão.
Introdução

A violência domestica contra mulher é uma questão de saúde pública que pode ser tratada de maneira adequada se a estrutura dos centros de atendimento estivesse preparada para atender às vítimas, percebendo assim significativas mudanças de comportamento nessas mulheres como depressão em decorrência aos maus tratos e opressão em suas próprias casas. A falta de um diagnóstico preciso traz sérias conseqüências não só às mulheres agredidas, como também para o sistema de saúde. As mulheres são as que correm maiores riscos de sofrer violência em ambientes domésticos e familiares e, segundo as estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS), uma em cada quatro mulheres é vítima de abusos sexuais cometidos por seu parceiro ao longo da vida. Violência entre casais inclui atos de agressão física, asséd
io psicológico, atos sexuais forçados e diversos tipos de comportamento, como isolar uma pessoa de sua família e amigos ou restringir seu acesso a informação ou ajuda. Faz se relevante a pesquisa acerca desse assunto, pois, atualmente entre 10 e 69 por cento das mulheres admitem já ter sofrido algum tipo de violência física por parte de seu parceiro masculino em algum momento de sua vida e a maioria das vítimas sofre estes abusos durante um período longo de tempo. Este sofrimento que nos parece bastante significativo, onde essas mulheres desenvolvem a baixa auto-estima e é observado um comportamento depressivo, daí então a necessidade de desenvolver um conhecimento mais claro acerca da depressão em mulheres vitimas de violência domestica com a premissa de proporcionarmos uma melhor qualidade de vida a essas mulheres permitindo assim que estas possam se ver no mundo de uma forma mais eficaz e com uma melhor qualidade de vida.






A violência doméstica Diversos são os problemas decorrentes desse tipo de violência, como taquicardia, depressão, insônia, pressão alta, palpitação e até as DSTs que são sintomas comuns apresentados por mulheres vítimas da violência doméstica, porém que dificilmente são atrelados pelos médicos dos pronto socorros a esse motivo. Se os prontuários médicos adotassem o quesito “violência de gênero”, seria mais fácil diagnosticar o cerne da questão. Sendo assim a maioria das vítimas ainda não se sente à vontade para explicar o real motivo de suas queixas, e por isso perambulam de um hospital para o outro. Doenças sexualmente transmissíveis, doenças pélvicas inflamatórias, gravidez indesejada, aborto espontâneo, dores de cabeça, doenças gastrointestinais, hipertensão e outras doenças crônicas, além de comportamentos danosos à saúde, como fazer sexo inseguro, abusar de drogas e do álcool têm uma incidência bastante alta nas pessoas que vivem em situação de violência doméstica. Surgem ainda transtornos psíquicos como depressão, ansiedade e suicídio (Heise in Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, 1994, p.146-55). Entendemos, no entanto, que não basta garantir o atendimento à saúde. É necessário o resgate da cidadania e dos direitos humanos das mulheres tais como o reconhecimento de seus direitos sociais, econômicos, civis e políticos. Muitas mulheres afirmam já ter sofrido algum tipo de agressão e muitas diz ter consciência de que seus agravos de saúde estão associados à violência, mas nunca conversam com ninguém sobre o assunto. A violência doméstica precisa de políticas públicas para ser combatida. Infelizmente, esse tipo de violência está impregnado em qualquer sociedade e não escolhe classe social. Mas suas conseqüências podem ser evitadas se o sistema de saúde abrir espaço para capacitar profissional com finalidades diretas a esse tipo de atendimento.

O sofrimento das mulheres vítimas de violência doméstica traz graves conseqüências à saúde física e mental, podendo ser responsável pelo desenvolvimento de depressão e fobias. Mulheres que vivem com parceiros violentos encontram dificuldades para cuidar de si próprias, procurar emprego, estudar e desenvolver formas de viver com conforto e autonomia, contribuindo ainda mais para seu sofrimento psíquico e social, ficando claro então que em relação aos aspectos econômicos, as mulheres em situação de violência perdem com mais freqüência o emprego, têm mais dificuldades em negociar aumentos salariais e promoção na carreira profissional, principalmente por ficar em duvida com relação ao que seu parceiro irá pensar de sua promoção. São inúmeros os prejuízos também causados às crianças que de um modo geral assistem as cenas violentas entre os pais, que podem ser também diretamente afetadas e sofrem conseqüências emocionais, como ansiedade, depressão, baixo rendimento escolar, baixa auto-estima, pesadelos, etc. Baixa auto-estima A insegurança pessoal, a baixa auto-estima, a depressão e os problemas de personalidade podem levar a conduta violentas. Há vários estudos que mostram uma evidente relação entre o consumo excessivo de álcool e a violência, embora não esteja claro se beber desencadeia o problema ou serve de justificativa. Entre os casos de agressões físicas, pelo menos um terço é de abusos sexuais, um problema que, para muitas destas mulheres, começa na infância ou na adolescência. A violência entre os casais deixa várias seqüelas, entre elas, além dos traumatismos, problemas gastrointestinais, dores crônicas, depressões e comportamentos suicidas. Acredita-se que há uma série de fatores de risco entre os homens mais propensos a abusar de suas mulheres como a existência de antecedentes de violência familiar, especialmente se eles mesmos foram agredidos quando eram crianças. Dezenas de milhares de mulheres sofrem todo ano de violência sexual nos serviços de saúde, como assédio sexual, mutilações, exames ginecológicos forçados e controle de sua virgindade.

O relatório da OMS afirma ainda que, embora seja importante reformar os sistemas jurídicos e policiais para tratar o problema da violência contra a mulher, estas medidas são ineficazes se não são acompanhadas de mudanças culturais e nas práticas institucionais. Segundo Heise, a violência doméstica e o estupro são considerados a sexta causa de anos de vida perdidos por morte ou incapacidade física em mulheres de 15 a 44 anos – mais que todos os tipos de câncer, acidentes de trânsito e guerras. Sendo assim, é um tema que merece total atenção, porque, pode acarretar conseqüências emocionais aos filhos que testemunham a violência. As mulheres que relatam terem sofrido violência doméstica apresentam formas combinadas de agressões físicas, como nódoas negras, fraturas, queimaduras, marcas de tentativas de estrangulamento, golpes provocados por instrumentos cortantes, etc, e de agressões psicológicas que retratam como seqüelas medo, isolamento afetivo, dependência emocional, sentimentos de culpabilidade e quadros depressivos. Dessa forma, nossa proposta foi verificar a ocorrência de depressão e a presença de algum traço de personalidade que pudessem comprometer a saúde das mulheres vítimas de violência doméstica que decidem permanecer na relação conflituosa, de agressão. as mulheres agredidas e que permanecem no vínculo conjugal são mais propensas à depressão, exprimindo sentimentos de solidão, tristeza, desamparo, descrença, irritação, baixa auto-estima e baixa auto-confiança, não conseguindo assim se perceber e nem desenvolver a auto-esficácia, formando assim, um círculo vicioso: as mulheres agredidas que permanecem com os companheiros agressores tornam-se freqüentemente, agressivas, o que leva os casais a terem um dia-dia cada vez mais violento, em que os conflitos se multiplicam e se intensificam.

Depressão Stefanis e Stefanis, (2005) nos trás informações dizendo que Depressão e transtornos mentais associados são temas abordados desde a Antigüidade, onde estes datam de 2600 a.C. é que se encontravam os primeiros documentos que abordavam esses temas. Entretanto, foi a partir dos estudos de Hipócrates (460-370 a.C.) e de seus discípulos que surgiu o conceito de “melancolia”. Interessante ressaltar que juntamente com este conceito, surgiu o primeiro critério diagnóstico para a condição, que propunha: “se a tristeza persiste então é melancolia”. Freud (1905 apud ZAVASCHI; SATLER; POESTER, 2002) formulou a hipótese de que o psiquismo seria estruturado a partir do patrimônio genético, modelado pela primitiva relação do bebê com seus pais, modelando também seu comportamento, ou seja, a relação primitiva do bebê com sua mãe se estabelecem de forma inalterável, sendo o protótipo de todas as relações posteriores e fundando o ego, que se constrói ao longo do desenvolvimento. Diante da ameaça de separação da mãe, o bebê responde com ansiedade e, perante sua perda real, com a dor do luto. Sendo assim podemos pensar que os sentimentos depressivos vêm do interior da pessoa e não de fora dela, aqui começa-se a perceber a Depressão como sendo um Transtorno Afetivo ou do Humor, caracterizada também por uma alteração psíquica e orgânica global, em conseqüência à algum evento traumatizantes, como a violência domestica com conseqüentes alterações na maneira de valorizar a realidade e a vida. Beck et al (1997) define o quadro de depressão como sendo caracterizado por uma série de sintomas que a terapia cognitiva entende que, no plano psicológico, sejam disparados pelos pensamentos disfuncionais, dai entao os comportamentos disfuncionai, precisamos trabalhar alguns comportamentos a ser atacados, nas mulheres que sofreram violencia domestica, objetivamente, por meio de sua delimitação específica, de modo a poderem ser tratados, estes envolvem sintomas afetivos (tristeza, culpa, vergonha, raiva, ansiedade), sintomas motivacionais (desânimo, dependência), sintomas cognitivos (indecisão, autocrítica, falta de concentração), sintomas comportamentais (passividade, evitação, inércia, déficits em habilidades sociais) e sintomas fisiológicos (insônia, perda de apetites). Esse nos parece ser o quadro vivenciado pelas mulheres vitimas da violencia domestica.

As mulheres vitimas da violência domestica que estão desenvolvendo a depressão, passa a ter sentimentos inapropriados de desesperança desprezando-se como pessoa e até mesmo se culpando pela doença ou pelo problema dos outros, sentindo-se um peso morto na família, que já se encontra adoecida pela violência vivenciada. A Depressão não deve ser confundida com uma simples tristeza. Devido à banalização do termo "depressão", um grande contingente populacional utiliza esta terminologia de forma equivocada, dificultando assim o diagnóstico. De acordo com o (DSM-IV, 1994) alguns comportamentos peculiares permitem que o diagnóstico seja realizado de maneira precisa. A seguir, serão apresentados os critérios diagnósticos para o episódio depressivo: - Falta de interesse em realizar atividades que antes eram considerados como prazerosas pelo indivíduo. - Humor deprimido diariamente com sentimento de tristeza. - Perda ou ganho significativo de peso, sem realizar qualquer regime ou dieta. - Insônia ou hipersônia quase todos os dias. - Sensação de fadiga, mesmo não tendo realizado qualquer atividade física. - Sentimentos de culpa e inutilidade. - Pensamentos de ruína, destruição ou suicídio (ou tentativa). No entanto, torna-se necessário salientar que ao se fazer o diagnóstico de Depressão, a paciente pode apresentar apenas alguns destes sintomas, o que sugere um quadro de depressão moderada, outros pontos de elevada importância para se realizar o diagnóstico são o fato de a enfermidade não estar relacionada ao consumo de substâncias tóxicas e não ter vínculo com um episódio de luto (a não ser que os sintomas persistam por mais de dois meses). Enfatiza-se que para se realizar o diagnóstico de depressão maior em algum indivíduo, várias instâncias de sua vida se mostram prejudicadas, como por exemplo, relacionamentos afetivos, sociais, auto-higiene e ritmo de trabalho. Podemos também encontrar informações acerca da depressão, de forma bem delimitada, para a elaboração de um diagnostico claro e seguro e com diversas distinções em (CID - 10, 1993, p.88) No referido manual encontramos que o humor do depressivo varia pouco de dia para dia, ou segundo as circunstâncias e pode se acompanhar de sintomas ditos "somáticos", como perda de interesse ou prazer, despertar matinal precoce, várias horas antes da hora habitual de despertar, agravamento matinal da depressão, lentidão psicomotora importante, agitação, perda de apetite, perda de peso e perda da libido. O número e a gravidade dos sintomas permitem determinar três graus de um episódio depressivo: leve, moderado e grave. Comportamento Depressivo Existem características e comportamentos desenvolvidos pelo individuo que se encontra no estado depressivo, que podem ser observado e trabalhado com eficácia através dos processos cognitivos, porém se forem observados, focalizando o comportamento disfuncional a ser trabalhado.

Rangé (2001), nos trás acerca dos condicionamentos que acabam desenvolvendo pensamentos e sensações automáticas, como na hora de comermos, sentimos tanto um alerta no pensar como no sentir, porém antes disso não, sendo assim aprendemos também a tolerar frustrações para que possamos participar da vida social, sem grandes prejuízos sociais e nem individuais, porém em determinados momentos o individuo que esta diante de uma nova situação com o mesmo nível de frustração acaba descondensando e desenvolvendo comportamentos depressivos. O comportamento depressivo vai depender claramente de fatores ambientais específicos incluindo-se assim o fator tempo-espaço, que também irá contribuir significativamente para essa percepção distorcida e causadora do atual estado comportamental do individuo, ou seja qualquer que seja o evento que faça a mulher lembrar da violência vivenciada por ela desencadeará o seu comportamento depressivo, assim pensa Rangé (2001, p. 22): A revelação destes processos implica que o comportamento de um individuo não é, necessariamente, consistente e estável, mesmo em situações relativamente diferentes; mas sim que seu comportamento é função de condições ambientais específicos com as quais fica associado por mecanismos de aprendizagem. Logo se percebe então que se um individuo tem um comportamento depressivo isso não está ligado a sua infância mal resolvida, nem de traços de sua personalidade, mas sim na interação e a aprendizagem deste individuo com o meio, modelando assim o seu comportamento e o seu modo de ser no mundo.


Conclusão

Percebe-se então que na questão da violência domestica existe uma relação de opressor e oprimido, onde este somente deixará de ser oprimido a partir do momento em que começa a desenvolver uma luta por liberdade e exigência de seus direito. A violência não pode ser vista como um fenômeno inerente à natureza humana, mas como um fenômeno condicionado ao modo de organização social, que é historicamente construído. Existe a violência estrutural, constitutiva da condição de ser - humano - condição essa que tem nas relações sociais, o próprio espaço das relações de poder. A violência domestica contra a mulher é um fato que vem ocorrendo ao longo dos anos, porém que nos parece chegar o momento de se dar um basta pesquisado assim a etiologia do problema, deixando de tratar apenas os casos já ocorridos que desenvolvem nas mulheres sentimentos inadequados com sofrimentos significativos e baixa auto-estima, fazendo com que as mulheres vivenciem situações e comportamento de depressão e baixa qualidade de vida, daí então faz se necessário e de grande importância a retirada dos comportamentos depressivos, pois estes impedem que a pessoa se perceba como um ser-no-mundo que tem direitos e estes devem ser respeitados. É necessário desenvolver a auto-eficácia para que assim esta mulher possa contribuir com a justiça na intenção de combater a violência domestica contra a mulher, porém, não só combater os casos já existentes, mas sim, poder chegar a etiologia do problema, trabalhando assim o que causa a violência domestica e não mais somente os casos já ocorridos.


Referência Bibliográfica

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. DSM IV: Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais. Trad. Dayse Batista. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1994.

BECK, A. T. et al. Terapia cognitiva da depressão. trad. Sandra Costa. – Porto Alegre: Artes Médicas, 1997.

Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da CID-10; Descrições clínicas e diretrizes diagnosticas. Porto Alegre: Artes Médicas. 1993.

FREUD, S. Luto e melancolia, 1917/ 1915. In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago; 1974.

HEISE L. Gender-based. Abuse: The global epidemic. Caderno de Saúde Pública, Rio de Janeiro. 1994;10(1):135-45.

ISKANDAR, J. I. Normas da ABNT comentadas para trabalhos científicos. Curitiba: champagnat, 2000.

LAFER, B; AMARAL, J. A. M. S. Depressão no ciclo da vida. Porto Alegre: Artes Médicas, 2000.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Classificação Internacional de Doenças e problemas relacionados à saúde: décima revisão. São Paulo: Centro Colaborador da OMS para Classificação de Doenças em Português; 1993.

RANGÉ, B. P. Psicoterapia comportamental e cognitivo de transtornos psiquiátricos. Campinas SP: Livro pleno, 2001, V II SCHRITZMEYER ALP. Abusos imponderáveis: limites dos registros oficiais e das políticas públicas. In: Jornada Psicanalítica – "ABUSO". São Paulo; 2001.

STEFANIS, C; STEFANIS, N. Diagnóstico dos transtornos depressivos: uma revisão. In: Maj, M. e Sartorius, N. (Eds.). Transtornos Depressivos 2ª ed. Porto Alegre: Artes Médicas. 2005.

ZAVASCHI, M. L. S; SATLER, F; POESTER, D. et al. Associação entre trauma por perda na infância e depressão na vida adulta. Rev. Bras. Psiquiatr. [online]. out. 2002, vol.24, no.4 [citado 30 Abril 2006], p.189-195. Disponível na World Wide Web:




quarta-feira, 9 de junho de 2010

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA!




Violência Doméstica





Índice

O que é a violência doméstica

Tipos de violência

O que fazer se for vítima de violência

Bibliografia


O que é a violência doméstica

A violência doméstica é um problema universal que atinge milhares de pessoas, em grande número de vezes de forma silenciosa e dissimuladamente.

Trata-se de um problema que acomete ambos os sexos e não costuma obedecer nenhum nível social, económico, religioso ou cultural específico, como poderiam pensar alguns.

Sua importância é relevante sob dois aspectos; primeiro, devido ao sofrimento indescritível que imputa às suas vítimas, muitas vezes silenciosas e, em segundo, porque, comprovadamente, a violência doméstica, incluindo aí a Negligência Precoce e o Abuso Sexual, podem impedir um bom desenvolvimento físico e mental da vítima.

Segundo o Ministério da Saúde, as agressões constituem a principal causa de morte de jovens entre 5 e 19 anos. A maior parte dessas agressões provém do ambiente doméstico.

A Unicef estima que, diariamente, 18 mil crianças e adolescentes sejam espancados no Brasil. Os acidentes e as violências domésticas provocam 64,4% das mortes de crianças e adolescentes no País, segundo dados de 1997.




Tipos de Violência

Violência Doméstica, segundo alguns autores, é o resultado de agressão física ao companheiro ou companheira. Para outros o envolvimento de crianças também caracterizaria a Violência Doméstica.

A vítima de Violência Doméstica, geralmente, tem pouco auto estima e se encontra atada na relação com quem agride, seja por dependência emocional ou material. O agressor geralmente acusa a vítima de ser responsável pela agressão, a qual acaba sofrendo uma grande culpa e vergonha. A vítima também se sente violada e traída, já que o agressor promete, depois do ato agressor, que nunca mais vai repetir este tipo de comportamento, para depois repeti-lo.

Em algumas situações, felizmente não a maioria, de franca violência doméstica persistem cronicamente porque um dos cônjuges apresenta uma atitude de aceitação e incapacidade de se desligar daquele ambiente, sejam por razões materiais, sejam emocionais. Para entender esse tipo de personalidade persistentemente ligada ao ambiente de violência doméstica poderíamos compará-la com a atitude descrita como co-dependência, encontrada nos lares de alcoolistas e dependentes químicos.

Para entender a violência doméstica, deve-se ter em mente alguns conceitos sobre a dinâmica e diversas faces da violência doméstica, como por exemplo:
Violência Física

Violência física é o uso da força com o objectivo de ferir, deixando ou não marcas evidentes. São comuns murros e tapas, agressões com diversos objectos e queimaduras por objectos ou líquidos quentes. Quando a vítima é criança, além da agressão activa e física, também é considerado violência os factos de omissão praticados pelos pais ou responsáveis.

Quando as vítimas são homens, normalmente a violência física não é praticada directamente. Tendo em vista a habitual maior força física dos homens, havendo intenções agressivas, esses factos podem ser cometidos por terceiros, como por exemplo, parentes da mulher ou profissionais contratados para isso. Outra modalidade é as agressões que tomam o homem de surpresa, como por exemplo, durante o sono. Não são incomuns, actualmente, a violência física doméstica contra homens, praticados por namorados (as) ou companheiros (as) dos filhos (as) contra o pai.

Apesar de nossa sociedade parecer obcecada e entorpecida pelos cuidados com as crianças e adolescentes, é bom ressaltar que um bom número de agressões domésticas é cometido contra os pais por adolescentes, assim como contra avós pelos netos ou filhos. Dificilmente encontramos trabalhos nessa área.

Não havendo uma situação de co-dependência do(a) parceiro(a) à situação conflituante do lar, a violência física pode perpetuar-se mediante ameaças de "ser pior" se a vítima reclamar há autoridades ou parentes. Essa questão existe na medida em que as autoridades se omitem ou tornam complicadas as intervenções correctivas.

O abuso do álcool é um forte agravante da violência doméstica física. A Embriagues Patológica é um estado onde a pessoa que bebe torna-se extremamente agressiva, às vezes nem lembrando com detalhes o que tenha feito durante essas crises de furor e ira. Nesse caso, além das dificuldades práticas de coibir a violência, geralmente por omissão das autoridades, ou porque o agressor quando não bebe "é excelente pessoa", segundo as próprias esposas, ou porque é o esteio da família e se for detido todos passarão necessidade, a situação vai persistindo.

Também portadores de Transtorno Explosivo da Personalidade são agressores físicos contumazes. Convém lembrar que, tanto a Embriagues Patológica quanto o Transtorno Explosivo têm tratamento. A Embriagues Patológica pode ser tratada, seja procurando tratar o alcoolismo, seja às custas de anticonvulsivantes (carbamazepina). Estes últimos também úteis no Transtorno Explosivo.

Mesmo reconhecendo as terríveis dificuldades práticas de algumas situações, as mulheres vítimas de violência física podem ter alguma parcela de culpa quando o fato se repete pela 3a. Vez. Na primeira ela não sabia que ele era agressivo. A segunda aconteceu porque ela deu uma chance ao companheiro de corrigir-se mas, na terceira, é indesculpável.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), foram agredidas fisicamente por seus parceiros entre 10% a 34% das mulheres do mundo. De acordo com a pesquisa “A mulher brasileira nos espaços públicos e privados” – realizada pela Fundação Perseu Abramo em 2001, registrou-se espancamento na ordem de 11% e calcula-se que perto de 6,8 milhões de mulheres já foram espancadas ao menos uma vez.
Violência Psicológica

A Violência Psicológica ou Agressão Emocional, às vezes tão ou mais prejudicial que a física, é caracterizada por rejeição, depreciação, discriminação, humilhação, desrespeito e punições exageradas. Trata-se de uma agressão que não deixa marcas corporais visíveis, mas emocionalmente causa cicatrizes indeléveis para toda a vida.

Um tipo comum de Agressão Emocional é a que se dá sob a autoria dos comportamentos histéricos, cujo objectivo é mobilizar emocionalmente o outro para satisfazer a necessidade de atenção, carinho e de importância. A intenção do(a) agressor(a) histérico(a) é mobilizar outros membros da família, tendo como chamariz alguma doença, alguma dor, algum problema de saúde, enfim, algum estado que exija atenção, cuidado, compreensão e tolerância.

É muito importante considerar a violência emocional produzida pelas pessoas de personalidade histérica, pelo fato dela ser predominantemente encontrada em mulheres, já que, a quase totalidade dos artigos sobre Violência Doméstica dizem respeito aos homens agredindo mulheres e crianças. Esse é um lado da violência onde o homem sofre mais.

No histérico, o traço prevalente é o “histrionismo”, palavra que significa teatralidade. O histrionismo é um comportamento caracterizado por colorido dramático e com notável tendência em buscar atenção contínua. Normalmente a pessoa histérica conquista seus objectivos através de um comportamento afectado, exagerado, exuberante e por uma representação que varia de acordo com as expectativas da plateia. Mas a natureza do histérico não é só movimento e acção; quando ele percebe que ficar calado, recluso, isolado no quarto ou com ares de “não querer incomodar ninguém” é a atitude de maior impacto para a situação, acaba conseguindo seu objectivo comportando-se dessa forma.

Através das atitudes histriônicas o histérico consegue impedir os demais membros da família a se distraírem, a saírem de casa, e coisas assim. Uma mãe histérica, por exemplo, pode apresentar um quadro de severo mal-estar para que a filha não saia, para que o marido não vá pescar, não vá ao futebol com amigos... A histeria quando acomete homens é pior ainda. O homem histérico é a grande vítima e o maior mártir, cujo sacrifício faz com que todos se sintam culpados.

Outra forma de Violência Emocional é fazer o outro se sentir inferior, dependente, culpado ou omisso é um dos tipos de agressão emocional dissimulada mais terríveis. A mais virulenta atitude com esse objectivo é quando o agressor faz tudo correctamente, impecavelmente certinho, não com o propósito de ensinar, mas para mostrar ao outro o tamanho de sua incompetência. O agressor com esse perfil tem prazer quando o outro se sente inferiorizado, diminuído e incompetente. Normalmente é o tipo de agressão dissimulada pelo pai em relação aos filhos, quando esses não estão saindo exactamente do jeito idealizado ou do marido em relação às esposas.

O comportamento de oposição e aversão é mais um tipo de Agressão Emocional. As pessoas que pretendem agredir se comportam contrariamente àquilo que se espera delas. Demoram no banheiro, quando percebem alguém esperando que saiam logo, deixam as coisas fora do lugar quando isso é reprovado, etc. Até as pequenas coisinhas do dia-a-dia podem servir aos propósitos agressivos, como deixar uma torneira pingando, apertar o creme dental no meio do tubo e coisas assim. Mas isso não serviria de agressão se não fossem atitudes reprováveis por alguém da casa, se não fossem intencionais.

Essa atitude de oposição e aversão costuma ser encontrada em maridos que depreciam a comida da esposa e, por parte da esposa, que, normalmente se aborrecendo com algum sucesso ou admiração ao marido, ridiculariza e coloca qualquer defeito em tudo que ele faça.

Esses agressores estão sempre a justificar as atitudes de oposição como se fossem totalmente irrelevantes, como se estivessem correctas, fossem inevitáveis ou não fossem intencionais. "Mas, de fato a comida estava sem sal... Mas, realmente, fazendo assim fica melhor..." e coisas do género. Entretanto, sabendo que são perfeitamente conhecidos as preferências e estilos de vida dos demais, atitudes irrelevantes e aparentemente inofensivas podem estar sendo propositadamente agressivas.

As ameaças de agressão física (ou de morte), bem como as crises de quebra de utensílios, mobílias e documentos pessoais também são consideradas violência emocional, pois não houve agressão física directa. Quando o(a) cônjuge é impedida(a) de sair de casa, ficando trancado(a) em casa também se constitui em violência psicológica, assim como os casos de controlo excessivo (e ilógico) dos gastos da casa impedindo atitudes corriqueiras, como por exemplo, o uso do telefone.
Violência Verbal

A violência verbal normalmente se dá concomitante à violência psicológica. Alguns agressores verbais dirigem sua artilharia contra outros membros da família, incluindo momentos quando estes estão na presença de outras pessoas estranhas ao lar. Em decorrência de sua menor força física e da expectativa da sociedade em relação à violência masculina, a mulher tende a se especializar na violência verbal mas, de fato, esse tipo de violência não é monopólio das mulheres.

Por razões psicológicas íntimas, normalmente decorrentes de complexos e conflitos, algumas pessoas se utilizam da violência verbal infernizando a vida de outras, querendo ouvir, obsessivamente, confissões de coisas que não fizeram. Atravessam noites nessa tortura verbal sem fim. "Você tem outra+o).... Você olhou para fulana+o)... Confesse, você queria ter ficado com ela (e)" e todo tido de questionamento, normalmente argumentados sob o rótulo de um relacionamento que deveria se basear na verdade, ou coisa assim.

A violência verbal existe até na ausência da palavra, ou seja, até em pessoas que permanecem em silêncio. O agressor verbal, vendo que um comentário ou argumento é esperado para o momento, se cala, emudece e, evidentemente, esse silêncio machuca mais do que se tivesse falado alguma coisa.

Nesses casos a arte do agressor está, exactamente, em demonstrar que tem algo a dizer e não diz. Aparenta estar doente mas não se queixa, mostra estar contrariado, "fica bicudo" mas não fala, e assim por diante. Ainda agrava a agressão quando atribui a si a qualidade de "estar quietinho em seu canto", de não se queixar de nada, causando maior sentimento de culpa nos demais.

Ainda dentro desse tipo de violência estão os casos de depreciação da família e do trabalho do outro. Um outro tipo de violência verbal e psicológica diz respeito às ofensas morais. Maridos e esposas costumam ferir moralmente quando insinuam que o outro tem amantes. Muitas vezes a intenção dessas acusações é mobilizar emocionalmente o(a) outro(a), fazê-lo(a) sentir diminuído(a). O mesmo peso de agressividade pode ser dado aos comentários depreciativos sobre o corpo do(a) cônjuge.





O que fazer se for uma vítima de violência



Ainda que não haja sinais externos de agressão, deve recorrer ao hospital local (de preferência), centro de saúde ou médico particular para ser observada e tratada; é importante identificar o agressor. Se reside nas grandes áreas de Lisboa, Porto e Coimbra, deve dirigir-se para exame médico-legal, ao respectivo Instituto de medicina Legal, onde está, diariamente, escalado um perito médico-legal.

Fora destas áreas, deve dirigir-se aos Gabinetes Médico-legais, a funcionar continuamente, nos Hospitais de: Almada, Angra do Heroísmo, Aveiro, Beja, braga, Bragança, Cascais, Castelo Branco, Chaves, Évora, Faro, Figueira da Foz, Funchal, Guarda, Grândola, Guimarães, Leiria, Penafiel, Ponta Delgada, Portalegre, Portimão, Santa Maria da Feira, Santarém, Setúbal, Tomar, Torres Vedras, Viana do Castelo, Vila Franca de Xira, Vila Real, Viseu.

Os Institutos e os Gabinetes podem receber denúncias de crimes e praticar os actos cautelares necessários e urgentes para assegurar os meios de prova, procedendo, nomeadamente, ao exame de vestígios e transmitindo essas denúncias, no mais curto prazo, ao Ministério Público.

Deve apresentar queixa contra o agressor, podendo, para o efeito, dirigir-se à esquadra (ou elemento da PSP em serviço na urgência do hospital), posto da GNR do local onde ocorreu a agressão ou Polícia Judiciária ou directamente ao Tribunal. Poderá também dirigir-se ao Instituto de Medicina Legal (Lisboa, Coimbra e Porto), ou aos gabinetes médico-legais, que funcionam em muitos hospitais de todo o País. Para qualquer destas diligências faça-se acompanhar, se possível, de familiar ou pessoa amiga.

Ao apresentar queixa, deve exigir documento comprovativo de a ter feito.

Se ao apresentar queixa contra o marido, companheiro, ou progenitor de descendente comum em 1.º grau (pais), receia que a sua integridade física ou psíquica, ou a dos filhos, fique ameaçada, pode sair de casa.

Deixar a casa em consequência de maus tratos que possam ser provados não prejudica o direito de ficar com os filhos, quando menores, de residir na casa de morada de família, de pedir alimentos ao cônjuge bem como o direito ao recheio da casa e outros bens do casal, no caso de vir, posteriormente, a divorciar-se.

A ocorrência de maus-tratos deve, tanto quanto possível, ser conhecida pelos familiares, incluindo os filhos, vizinhos ou pessoas amigas não só para poderem prestar assistência e apoio, como para poderem ser testemunhas em processo-crime ou de divórcio litigioso.

Os maus-tratos constituem um crime punido com pena de prisão ou de multa, podendo ainda ser aplicada a pena acessória de proibição de contacto com a vítima, incluindo a de afastamento desta.

Podem ser fundamento de divórcio ou separação litigiosa.

Patrick Pereira








ACREDITE NA VIDA,
EM VOCE, QUEBRE AS CORRENTES, LIBERTE-SE!
TENHAM UM GRANDE DIA!!

terça-feira, 8 de junho de 2010

Depoimentos e Histórias Registradas na Memória


Depoimentos e Histórias Registradas na Memória

"Eu acho que violência contra a mulher é o que aconteceu comigo e que acontece com outras mulheres. Se ele fosse um estranho, eu até que não estava tão revoltada, mas foi meu pai, ele não me respeitou em momento algum. Ele não me considerou como filha. Outro caso de violência é o espancamento. Além disso, eu acho que tem muito homem que tira a privacidade da mulher e pra mim isso já é uma violência. Eles fazem isso com as mulheres porque eles acham que são homens e podem tudo. Eles não vêem que se não fosse a mulher eles não estariam no mundo. Eles não olham essa parte não. Eles não, a maioria". (Gabriela sofreu abuso sexual, físico e psicológico por parte do pai, dos sete aos 13 anos de idade. Conseguiu sair de casa aos 14 com apoio de um serviço de saúde. (Brasil, 2000).
"Eu acho que existe violência de todo tipo. Acho que existe a discriminação muitas vezes, sabe? De você ser taxada como menos capaz. Existe aquela de casa, do marido, das mulheres que não têm um grau de instrução melhor, das mulheres que não trabalham, das mulheres que ficam em casa cuidando dos filhos. Do marido que bate, que aparece com outras na cara delas e elas não podem dizer nada porque são sustentadas por eles. E eles acham que a mulher está alí para servir de qualquer coisa, entendeu? Que eles podem falar qualquer coisa: que ela é isso, que ela é aquilo e que a mulher não pode fazer nada, entendeu? Eu acho que, por ser mulher, você ainda não pode sair sozinha. Eu estava conversando com um amigo meu, num bar, e duas mulheres estavam tomando umas cervejas, e ele disse: _olha lá: duas mulheres sozinhas numa mesa, estão esperando homem! Eu falei: qual é o problema de duas mulheres, numa sexta-feira à noite, estarem sentadas num bar? São duas amigas, tomando uma cerveja". Ele respondeu: _ que nada, quando você vê duas mulheres sozinhas, numa mesa, é porque tão esperando algum macho, alguma coisa desse tipo! Eu disse: menino! Como tu és machista, pelo amor de Deus! Quer dizer que um homem sentar numa mesa de bar sozinho é normal, mas a mulher, não? Ele respondeu: Não! (Adélia. Brasil, Ano 2000).
A HISTÓRIA DE SÔNIA
Final de ano. Sônia, 16 anos, voltava do colégio onde fez a matrícula para ingressar no segundo grau. Esperava para atravessar a rua. Um carro parou subitamente. O motorista abriu a porta e a puxou para dentro. Ameaçando-a com uma arma e dirigindo em alta velocidade, ele seguiu para uma mata afastada da cidade. Sexo oral, vaginal, uma, duas vezes. Calada, ela pensava em sua mãe e chorava. _Se você contar a alguém o que se passou, você e sua família morrem. Sônia foi para casa. Lavou-se à exaustão. Sentia-se suja. Tinha nojo de sí . Vomitou muito. Chorou em silêncio e ficou em casa vários dias. Conversou com uma amiga. Não queria incomodar sua mãe, recém-separada do marido, alcoolista, que lhe batia. A filha não queria lhe dar mais uma tristeza. Duas semanas após ela teve um pequeno sangramento e achou que era a menstruação. Quis esquecer tudo. Três meses depois, uma vizinha disse para sua mãe: _Tu não estás vendo que tua filha está grávida? A mãe foi procurá-la e perguntou: _Quem foi? Porque você me enganou? Por que você não me disse nada? Foi difícil convencer a mãe do que acontecera. Em companhia de uma prima, Sônia procurou um grupo de mulheres de sua comunidade e pediu orientação. Pouco se podia fazer, não havia serviços de atenção a vítimas de violência naquela cidade. _ Se eu tenho esse filho, lá no bairro vão dizer que eu sou uma prostituta. Se eu digo que foi estupro ninguém acredita. Nem minha mãe acreditou em mim! Sem acesso a um serviço de saúde que a atendesse dignamente, ela procurou o aborto clandestino e foi atendida num consultório sem as mínimas condições de segurança, expondo-se aos riscos da mortalidade materna porque a rede pública de saúde ainda não oferecia os serviços que poderiam garantir a Sônia o exercício de seus direitos. (Brasil, 1990)
JOSEFA E SEU COMPANHEIRO
Josefa voltava para casa com a filha adolescente, quando foi atacada por três homens. Reagiu, lutou contra e gritou: Corra minha filha! A menina conseguiu fugir. Josefa foi estuprada. Engravidou. Ao descobrir a gestação, ela conversou com o marido. Sentia muita tristeza. Raiva daqueles homens. Culpa de não ter conseguido se defender direito, de ter passado naquele lugar. Lembrava da filha e agradecia a Deus por não ter acontecido coisa pior. Ela não queria esse filho, mas não tinha coragem de abortar. Sua religião condenava o aborto. O marido lhe disse que aceitaria o filho como seu. Josefa sentiu-se apoiada, mas queria ser atendida num serviço de saúde. Mesmo com apoio do marido e tendo decidido ter o filho, a rejeição pela gravidez continuava. Ela procurava uma psicóloga que lhe ajudasse a enfrentar aquela situação. Josefa encontrou quem lhe atendesse? Não se tem a resposta. (Brasil, 1992)
COM ROSALI FOI ASSIM
Rosali tinha 17 anos. Assistia televisão em casa, num bairro da periferia de uma grande cidade, quando decidiu sair para comprar um sanduiche. No caminho, foi interceptada por dois homens e estuprada sob ameaça de uma arma. Assustada, voltou para casa e em companhia da mãe foi à delegacia. Dalí, as duas seguiram ao hospital. Na emergência, recebeu cuidados ginecológicos inadequados para uma situação de violência sexual (ducha vaginal). Dois meses depois ela descobre a gravidez e recorre ao serviço que lhe atendeu na ocasião do estupro. Ninguém sabia o que fazer. A mãe, segura de seus direitos procurou as autoridades. Ela dizia: _ Alguém precisa fazer alguma coisa, essa menina não pode continuar grávida. Ela não procurou isso. Rosali cabisbaixa, apenas chorava. Três meses após a interrupção de gravidez, realizada numa maternidade pública de referência para vítimas de violência sexual, a adolescente deu notícias para quem lhe atendeu: _ Oi doutora, aqui é Rosali, a menina do estupro. Liguei para dizer que estou bem. Arranjei um emprego e voltei a estudar. A vida de Rosali retomava seu curso. (Brasil, 1996)
ADÉLIA
Adélia está só em casa. Chega um rapaz à sua residência, pergunta por seus familiares e pede um copo d'água. Adélia dirige-se à cozinha e é seguida. Com uma faca no pescoço ela é estuprada e ameaçada de morte caso revele o fato a alguém. Adélia permanece em silêncio até descobrir que está grávida. Sente medo e vergonha.
Conta tudo à sua mãe e não recebe a acolhida esperada. Ela não lhe dá crédito e tampouco a aconselha a prestar queixa ou tomar qualquer outra atitude. Adélia acredita que a falta de informação leva sua mãe a agir dessa maneira.
Por iniciativa própria, ela procura a Delegacia da Mulher também esperando um atendimento especial, mas o serviço está em greve. A delegada ausente. Dias depois Adélia consegue ser atendida por ela, afirma que conhece seus direitos e quer realizar um aborto. Sem nenhum tipo de orientação é encaminhada ao IML. É mal recebida pela recepcionista e questionada sobre a demora em prestar queixa. Faz o exame de corpo de delito com uma médica que lhe trata de "forma mecânica". Depois de longa espera para liberação do laudo, Adélia volta a falar com a Delegada. Ao ser inquirida por Adélia sobre em que maternidade poderia interromper a gravidez, "agressivamente" a delegada lhe responde: "eu não posso dizer isso não, você se vire".
Sem saber onde fazer o aborto, Adélia procura médicos de sua relação pessoal que lhe indicam um serviço de referência. Neste local ela é atendida por um médico e uma enfermeira - cordiais e gentis, pois, segundo percebe, eles estão acostumados a realizar este tipo de procedimento. Em seguida, Adélia é acompanhada pelo serviço social e orientada sobre o direito de realizar o aborto de forma segura.
Durante a internação e realização do aborto Adélia fica só. Nesse momento sente a indiferença de alguns profissionais de saúde que não fazem parte da equipe sensibilizada e treinada para atender vítimas de violência sexual. Uma auxiliar de enfermagem tenta convencê-la a não fazer o aborto dizendo que isso é contra a lei de Deus; que conhece muitas mulheres estupradas que tiveram seus filhos, hoje, considerados bons filhos. Adélia espera uma atitude imparcial e reage: "vocês deviam ser pessoas neutras, porque este não é um problema de vocês, isso é um problema meu, que eu estou tentando resolver... O aborto ocorre durante a noite. Ao término do tratamento, sente-se aliviada. Segura da decisão que havia tomado, ela esperava um acompanhamento diferente dos serviços por onde passou.
SUELENE
Suelene foi abusada sexualmente pelo pai durante um ano. Ameaçada com uma faca, ela era obrigada a manter relações sexuais. Sentia-se muito mal, mas com medo ela nada contava para sua mãe.
Com a gravidez a mãe descobre o que está acontecendo e juntas vão ao Conselho de Proteção aos Direitos da Criança e Adolescente e à delegacia e ao IML onde foi feito o exame de corpo de delito. O agressor foi preso imediatamente.
É encaminhada para tratamento no hospital de referência, sendo atendida por uma equipe com assistente social, psicóloga e médicos.
A mãe e uma tia lhe dão apoio durante a denúncia e todo acompanhamento de saúde. Em todos os serviços ela afirma ter recebido um ótimo atendimento, compreensão, apoio e força para superar o que estava acontecendo.
Ela decide abortar, porque mesmo considerando o aborto uma agressão para a mulher, não suporta a idéia de ter um filho do próprio pai.
Suelene conhecia a lei que permite a interrupção da gravidez por estupro porque assistiu a uma entrevista na televisão onde o assunto foi tratado. Mas, pra ela não foi uma decisão fácil. "Se a gravidez fosse de um namorado eu enfrentaria com unhas e dentes, mesmo sem ajuda do pai eu não abortaria".
Após o aborto e o fim do tratamento clínico Suelene sente muito bem. Para ela é importante ter feito tudo dentro da legalidade, "tudo na justiça" e "ele estar preso".
Fazer o aborto num serviço público lhe dá a certeza de que não ficaria com problema nem correria risco de vida. Ela diz conhecer casos de aborto, feitos "no silêncio" onde as meninas ficam doentes e até morrem.
Ao sair do hospital Suelene tem medo das críticas, mas acredita que o mais importante é o que ela pensa e não a opinião dos outros. Durante o depoimento ela afirma sentir muito ódio pelo pai. Mas o apoio familiar e das instituições públicas parece ter sido - ou estar sendo - fundamental para a superar os problemas associados ao abuso sexual.
ANA LÚCIA
Ana Lúcia foi abordada por um rapaz, num ponto de ônibus. Ele lhe chamava insistentemente a Ana, com medo de falar com desconhecidos, seguia adiante. O rapaz aproximou-se perguntando se ela queria trabalhar como recepcionista recebendo dois salários mínimos. Recusando a oferta, Ana disse-lhe que estava apressada e precisava ir embora. Nesse momento, ele passou a ameaçá-la de morte caso gritasse, disse estar com um revólver cheio de bala que poderia descarregar em cima dela. Poderia até obrigá-la a fazer sexo oral, anal e vaginal na frente de todos, pois não tinha nada a perder e até matá-la alí mesmo. Vendo-se sem saída "eu não tive outra opção" Ana Lúcia o acompanhou "olhando só para ele para ninguém desconfiar de nada" como lhe foi exigido. Ele conversava e sorria, e seguiram andando normalmente como se fossem amigos.
Ana Lúcia é estuprada num matagal próximo à delegacia. Durante o ato, o agressor faz comentários sobre si mesmo e sua vítima. Revela que saiu do presídio recentemente, onde estava por ter assassinado o responsável pela morte de seu irmão. Faz elogios e comentários agressivos sobre sua vítima: "você é muito ignorante, mas é bonita". Ela chora e lhe pede pelo amor de Deus que pare de lhe tocar. Ele irrita-se, diz não agüentar mais ouvir esse nome, "pare com esse chororô" isso "é o que mais se ouve lá no presídio". Diz não saber porque estava fazendo aquilo com ela, só sabia que não ia parar porque estava bom. Pergunta se ela tem dinheiro. Lhe pede uma foto de lembrança, aponta para a casa onde mora. Recomenda que ela vá embora sem olhar para trás e não o denuncie, senão ele rodará os quatro cantos do mundo para encontrá-la e matá-la junto toda a família.
Após a agressão, com medo de contrair HIV, Ana Lúcia dirigiu-se à Casa da Cidadania para pedir auxílio. Acompanhada por uma assistente social, ela foi ao Departamento de Proteção da Criança e do Adolescente, mas pode ser atendida porque era maior de 18 anos. Prestou queixa na delegacia, fez o exame no IML e foi encaminhada para o serviço de saúde de referência.
Ana Lúcia considera que recebeu um bom atendimento em todos os serviços por onde passou, mas acredita que foi assim porque a assistente social esteve ao seu lado todo o tempo. Ela recomenda que os serviços sejam mais ágeis e ressalta a necessidade de haver profissionais especializados para atender as pessoas vítimas de violência "porque uma pessoa assim precisa de muita atenção". Ela ressalta a importância do médico ter sido atencioso, ter ficado preocupado por ela estar em período fértil, ter tomado as providências com rapidez.
CRISTINE
Ao nascer, Cristine não foi aceita pelo pai sendo criada pela avó materna. Ele queria que o primeiro filho fosse homem. Quando completou sete anos, sonhando conviver com seu pai, mãe e irmãos ela foi morar com os pais. Logo de início ele a proibiu de fica no mesmo quarto dos irmãos e colocou-a para dormir na sala.
À noite, com todos dormindo ela passa a ir até onde Cristine dorme. Toca-lhe o corpo, alisa seu peito e ao perceber seu choro a ameaça. Coloca um revólver do seu lado e avisa que se contar a alguém ela morre. Cristine é abusada dos sete aos treze anos. O pai faz um buraco na parede do banheiro para lhe observar durante o banho. Ele lhe diz que ninguém pode com ele, que "aqui na terra ele pode mais que Deus. O medo "me fraquejava". Ela temia não ser mais virgem.
Cristine sente-se uma escrava em sua casa. É tratada de modo diferente dos irmãos, realiza todas as tarefas domésticas e não entende o motivo. Acha-se rejeitada e perseguida pelos pais. Apanha com chicote, leva murros do pai e surras da mãe.
Num dado momento decide contar para a irmã e uma prima o que acontece durante a noite. A prima lhe aconselha falar com a mãe. Esta, não acredita, ou melhor diz que ela deve estar dando motivo para isso acontecer e passa a ameaçá-la. Sempre que fazia algo errado ou deixa alguma tarefa doméstica sem realizar, a mãe avisa que vai contar ao marido o que ela lhe contou. "Ela usava isso pra cima de mim como se fosse uma arma". Cristine sente-se vigiada. Não pode sair só de casa nem conversar com ninguém, um dos pais está sempre por perto. Ela não sabe a quem pedir ajuda.
Até que, num certo dia, conversando com uma funcionária da biblioteca da escola onde estuda, Cristine relata sua história e é levada a um serviço de saúde de referência. Faz exame clínico e ginecológico, acompanhamento psicológico e é apoiada na processo de saída de casa. Ela vai morar com um primo que solicita sua guarda à justiça e denuncia o pai.
O delegado quer provas para prendê-lo e lhe sugere: "você deixa seu pai lhe espancar... e depois que ele lhe espancar bem muito você corre pra cá!". Ela lhe faz uma contra-proposta: abrir uma sindicância no local onde ela reside para investigar quem ele é. Após prestar queixa ela faz o exame de corpo de delito. Fica aliviada por ainda ser virgem.
Os pais de Cristine continuaram ameaçando-a por longo tempo, acusaram-na de prostituição, de levantar falso testemunho e não foram punidos pelos crimes que cometeram.
Sobre os serviços, Cristine avalia muito bem o setor saúde. Ela teve todo acompanhamento necessário, compreensão e apoio. Mas, para ela, os setores que poderiam impedir que ela continuasse sendo agredida pelo pai não atuaram de modo adequado. Lentos e inoperantes na resolução de seu problema, ela sugere à delegacia, ao IML e à Procuradoria que sejam mais eficientes no cumprimento de suas responsabilidades.
ADELINA
Adelina voltava de uma festa, com uma amiga e o marido. No caminho de casa, eles foram abordados por três rapazes armados de revólver. Era um assalto. O marido da amiga foi imobilizado e sua mulher ameaçada de morte. Adelina foi espancada pelo assaltante que percebeu sua tentativa de esconder alguns pertences. Ele lhe puxou pelos cabelos, lhe deu murros, coronhadas de revólver e atirou duas vezes bem próximo de seus ouvidos. Em meio a todas essas agressões ele a empurrou para o lado de uma barraca que havia na calçada, um local mais escuro, e a estuprou. Um segundo assaltante aproximou-se também para violentá-la e lhe mordeu os seios.
Com medo de alguma doença, com medo da Aids, sentindo muitas dores, nojo e raiva dos agressores, Adelina teve medo também de chegar em casa naquelas condições e ser responsabilizada pelo marido, do que ocorrera. Foi até a casa de sua mãe e não conseguiu acordá-la. Decidiu dormir na casa da amiga.
No dia seguinte foram a um hospital onde foi examinada (mas não medicada) e encaminhada ao serviço de referência. Era domingo, não havia pessoal preparado para atendê-la. Ela não foi examinada, nem recebeu qualquer orientação. Oportunidade perdida. Pediram-lhe que retornasse no dia seguinte. Voltou ao serviço dois dias depois por insistência do marido. "Você vá. Você não conhece esses maus elementos, não sabe o que eles têm, é melhor fazer um exame, senão eu não quero nada com você não". Nessa consulta foram tomadas as providências para anticoncepção de emergência e profilaxia de doenças sexualmente transmissíveis e iniciado o acompanhamento psicológico.
A demora na entrega dos exames é a única queixa de Adelina em relação aos serviços de saúde. O atendimento da equipe especializada foi considerado muito bom. Sentiu-se protegida. Recomenda apenas mais agilidade nos resultados dos exames.
O marido de Adelina, de fato só acreditou que a mulher foi agredida depois da confirmação médica e só passou a ajudá-la depois de conversar com a psicóloga. Até então, ele acreditava que ela era a culpada e ameaçou-a com a separação caso o teste anti-HIV fosse positivo.
Ao deixar o hospital, Adelina procurou a amiga para prestar queixa, porque ela havia reconhecido um dos agressores pela voz. A amiga, recusou-se a testemunhar e se Adelina quisesse que prestasse queixa sozinha, esquecesse que estava acompanhada .
Com medo de uma possível vingança, Adelina desistiu de denunciar os assaltantes. Não obstante, dois foram presos ao assaltar e ferir um policial. Um deles tinha uma tatuagem no braço. O pai de Adelina fez o reconhecimento na delegacia a partir de suas informações.
Adelina mudou de opinião frente ao problema da violência sexual. Para ela isso não existia, as mulheres que diziam ter sofrido estupro estavam inventando e por isso não mostravam a cara quando falavam na televisão. Agora não. Ele entende os motivos que uma mulher tem para não querer mostrar o rosto nem falar do assunto depois de agredidas sexualmente. Mesmo assim, ela recomenda as mulheres vítimas de violência denunciem os agressores.




Tenham uma boa tarde!!

segunda-feira, 7 de junho de 2010

DO QUE AS MULHERES GOSTAM!


Eu não entendo porque as pessoas dificultam tanto a vida. Aquele velho ditado - "atrás de um grande homem existe uma grande mulher" - é a mais pura expressão da verdade. Feliz do homem que souber "explorar" o poder feminino que tem em mãos. Se você tem uma mulher que te ama ao seu lado, cara, você terá o mundo. E o mundo será um lugar bem melhor para todos, se as mulheres forem tratadas com a devida atenção. Vou explicar.

A maioria dos problemas da humanidade é causada por uma legião de machos que só enxerga o próprio umbigo. A mulher está lá, toda devotada, apaixonada, e o cara só olha para si. Não valoriza. Um dia, ela cansa e desiste. Como dizem, a fila anda! E você perdeu uma puta oportunidade de ser feliz com ela. Mas, antes disso acontecer, porém, muita água rola. Muita insatisfação, mau humor, brigas, ofensas e palavras atravessadas. Os homens ainda terão de viver mil vidas para entender as mulheres. E mais algumas milhares delas para aprender a tratá-las bem.

Toda esta insatisfação gera reflexos nos mais diversos segmentos sociais. Uma mulher feliz, bem-cuidada, com uma vida sexual bacana, corre o mundo por você e se torna a pessoa, a patroa, a amiga, namorada, amante ou coisa que o valha, mais agradável deste mundo. Homens, entendam: as mulheres gostam de carinho, atenção, cafuné, conversa, surpresinhas, mimos e, claro, sexo de qualidade. Nossa espécie já relutou desde a Criação contra isto. Não dá mais. É burrice. Façam suas mulheres felizes e aproveitem para ser também. Quando isto acontecer, o mundo será um lugar melhor para se viver.


Podem apostar!





ACREDITE NA VIDA EM VOCE!
NADA DURA PARA SEMPRE, NEM A DOR!!
DEIXAM CICRATIZES QUE NÃO SE CURAM JAMAIS,
MAS SOBREVIVEMOS!!
TENHAM UM BOM DIA!!
BOA SEMANA!!

sexta-feira, 4 de junho de 2010

DIGA NÃO A VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES!!



Violência doméstica contra mulheres - triste quadro sem tempo para acabar
Sâmara Jorge
samarajorge@hotmail.com
Psicóloga. Psicoterapeuta de Orientação Junguiana
2009

Idioma: Português do Brasil
Palavras-chave:



Elas são Marias, Eloás, Lúcias, Helenas, Carolinas, Cássias... Pertencem a diferentes classes sociais, níveis intelectuais, atividades profissionais, cores e raças...

Em comum têm apenas uma coisa: foram ou são agredidas por seus maridos ou namorados, pais ou padrastos de seus filhos... Escolheram esses homens para compartilhar a vida, formar uma família, dividir alegrias e tristezas, lutar com eles por uma vida melhor... Acreditaram que o amor que sentiam e dedicavam a eles os ajudariam a mudar... A cada dia, após uma briga ou agressão, um pedido de desculpas e a promessa de que aquilo não mais aconteceria, reacendia a esperança... Até o dia em que descobrem que as esperanças foram jogadas ao vento... O cenário interno é de pós-guerra... Não há mais nada, a não ser um sentimento de destruição, medo, vergonha, marcas irreversíveis no corpo e na alma e uma dor profunda, que leva tempo, muito tempo para acabar... Isso sem falar nas que morreram, vítimas das agressões e nos filhos que ficaram sem mães e pais que ficaram sem suas filhas...

Infelizmente os jornais quase que diariamente dão esse tipo de notícia. E muitos de nós ouvimos e pouco nos comovemos ou paramos para pensar na gravidade do assunto.

Por mais terrível que pareça, ainda hoje não é raro ouvirmos algumas pessoas dizendo que as mulheres gostam de apanhar, ou provocam seus maridos e por isso são tratadas dessa forma ou ainda que merecem apanhar, pois não fazem nada para mudar essa situação.

Esse deboche é tão agressivo quanto a atitude agressiva desses homens para com suas mulheres. Comentários desse tipo deveriam, sim, nos causar indignação, pois revelam ignorância e insensibilidade frente a uma terrível dor.

Outra forma de agressão é o pouco investimento em recursos para o amparo dessas mulheres, tais como abrigos, acompanhamento psicológico para toda a família, agilização dos processos, etc.

E como se tudo isso não bastasse, a agressão masculina dirigida às suas companheiras é banalizada, pois costuma ser vista como "briga de casal" e segundo o ditado popular, "em briga de marido e mulher não se mete a colher". Aqui estamos diante de uma terrível distorção, pois agressão física ou verbal, palavras de baixo calão e situação de humilhação são casos de polícia e, por vezes, de saúde pública e quem os presenciar deve se meter sim!

É natural que existam brigas e conflitos em todas as relações . O que não é natural é quando apenas uma das partes exerce seu poder de forma autoritária, impossibilitando o outro de exercer o seu direito de expressão. E é essa a dinâmica que se estabelece em casais cujas mulheres sofrem violência.

Em geral, o homem intimida a mulher através da força física e das ameaças de agressão aos filhos. As que dependem finaceiramente de seus companheiros ainda se veem reféns da ameaça de ver sua família passar por privações, caso reajam às atitudes violentas do marido.

Quando começam as agressões, a grande maioria das mulheres acredita se tratar de episódios isolados e quanto mais passiva for a sua atitude, quanto menos denunciar e mais esconder, mais frequentes e violentos eles costumam se tornar.

Pronto! Está estabelecida a relação de submissão, que vai minando a força da mulher, comprometendo sua auto-estima, de forma que, a cada agressão, menos reconheça sua própria força e suas capacidades para sair da situação em que se encontra. Atribui, cada vez mais, um imenso poder ao agressor e passa a ser acompanhada de um medo constante de falar, emitir opiniões, manifestar desejos ou sentimentos. Como também acha que pode controlar os destemperos do marido passa a evitar situações que acredita serem desencadeadoras de sua agressividade. Por exemplo, se ele gosta de silêncio, não deixa as crianças fazerem barulho; se reclama da bagunça da casa, procura manter tudo em ordem; se não sabe esperar, atende de pronto os seus pedidos e assim por diante.

Como resultado, recolhe-se e esconde as agressões sofridas, não apenas em função do medo, mas, especialmente pela vergonha que sente por ser agredida. E acaba por viver de forma muito solitária todo esse horror.

Contudo, fico me perguntando: Quem deve ter vergonha? A mulher que foi agredida, ou o homem que covardemente impõe à sua mulher e filhos um clima de terror? Certamente ele deveria se envergonhar e refletir sobre suas atitudes, pois dessa forma poderia buscar ajuda e compreender o que o leva a agir dessa maneira.

Gostaria aqui de fazer um parêntese para rapidamente dirigir o olhar para a questão do masculino.

Certamente, não há justificativa para tais atitudes, entretanto alguns pontos devem ser levados em conta. O agressor também é vitima de si mesmo, uma vez que não consegue controlar sua agressividade, não sabe o que fazer com suas emoções, fragilidades e frustrações (inevitáveis na vida de qualquer um de nós). Em geral agridem, porque não acessam os reais sentimentos vividos em determinadas situações, então, reagem agressivamente. Muitos aprenderam que, para exercer sua masculinidade devem ser brutos e autoritários, mas no fundo, toda essa arrogância e prepotência podem estar a serviço de esconder, em seus recônditos mais profundos, dores, inseguranças, humilhações vividas, maus-tratos...

O homem que agride também precisa de ajuda e acompanhamento. Em primeiro lugar, porque representa um perigo real para os que estão ao seu redor, principalmete para a sua família e mais especificamente para a companheira. E segundo, mas não menos importante, pela necessidade de olhar para si mesmo e buscar o caminho do crescimento. Muitos desses homens acabam por ter uma vida infeliz ou acabam com a própria vida. Perdem a família, a mulher a quem amam, o amor e o respeito dos filhos e, em casos extremos, perdem sua liberdade, pois acabam presos por chegar às últimas consequências.

Bem, voltando às mulheres, é preciso que levem a sério os riscos que correm e busquem ajuda o mais rápido possível. Mulheres agredidas tendem a achar que não acontecerá nada pior e que a situação está sob controle. Entretanto é preciso ter cuidado, pois essa é uma falsa impressão. Procurar todos os recursos, tais como a proteção de algum membro da família ou de amigos, buscar ajuda psicológica, orientação jurídica e assistência social pode ser a melhor saída.

Superar o medo e a vergonha é uma situação muito difícil, mas denunciar e expor a situação é a única saída possível para a grande maioria das mulheres nessa condição. Certamente, ao olharem para dentro de si mesmas, perceberão o esfacelameto de suas personalidade, mas é preciso acreditar que o tempo é um grande aliado para a reconstrução da vida e que todos os recursos necessários estão lá, dentro de si mesmas. Certamente, com ajuda psicoterapêutica será possível descobrir, antes de tudo, a imensa força que existe dentro de si, pois é preciso ser muito forte para suportar uma situação de violência.

Esse é, sem dúvida, o melhor caminho para que potenciais, qualidades, aspectos criativos, desejos, capacidade de tomar decisões e amor próprio desabrochem e floresçam, possibilitando, assim, que o brilho do sorriso, o respeito e a liberdade voltem a fazer parte de suas vidas.








ÓTIMA SEXTA!

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Mulheres que sofreram violência doméstica soltam a voz!


Mulheres que sofreram violência doméstica soltam a voz
As mulheres estão levantando a voz. E quando são vítimas da violência, o grito de socorro já toma o lugar do choro. Em 2008, o número de mulheres ouvidas pela Central de Atendimento à Mulher * Ligue 180 cresceu 32%, sendo que o maior número de ligações são do DF. Mas se o aumento da busca por ajuda significa mais conscientização, o perfil das mulheres traçado pela pesquisa expõe uma contradição e derruba o senso comum: das mulheres que relataram ter sofrido violência, 47,7% não dependem financeiramente do agressor. As dependentes somam 47,2%, enquanto outras 5,1% não informaram a situação financeira. A Central 180, um serviço nacional que orienta mulheres em situação de violência, é vinculada à Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM), da Presidência da República. Para a diretora da SPM, Kátia Guimarães, o diagnóstico feito a partir dos atendimentos é uma importante ferramenta para conduzir novas políticas públicas. "Percebemos que a autonomia financeira da mulher não a previne contra a violência. A partir daí, o governo vai elaborar ações de valorização da mulher em outras esferas. Será um trabalho focado na autoestima", afirma. Segundo Kátia,...

...(52,5%) relatou lesão corporal leve. Já 26,5% das mulheres denunciaram ameaça e, 5,9%, difamação. Mas para a diretora da SPM, um fator que chamou atenção foi o número de denúncias de violências não visíveis fisicamente nas mulheres, como perseguições, violência patrimonial, injúria e cárcere privado. "O aumento dessa violência não visível é uma vitória. É a consciência de que a violência tem várias formas de atuação. As formas veladas ficavam escondidas com a omissão das mulheres", diz. A maioria das 24.523 mulheres que denunciaram violência são casadas com o agressor, possui um filho, sofre a violência diariamente e com risco de morte, tem entre 20 e 30 anos, reside na zona urbana, possui o Ensino Médio completo e é negra. Além disso, o uso de álcool e/ou drogas está relacionado à 57,2% das denúncias. DF investe em orientação e serviços O Distrito Federal...

...atendimento às famílias vítimas passou da média de 2mil anuais para 10.114, em 2008. Das regiões administrativas, Ceilândia teve o maior número de atendimentos (1.138), seguida do Paranoá (1.680) e de Taguatinga (1.308). Além disso,para este semestre, está prevista a implantação de uma rede que unifique diversos órgãos governamentais no combate à violência, por meio de um programa de internet. Mas para a promotora do Núcleo de Gênero Pró-Mulher do Ministério Público do DF, Laís Cerqueira, a região ainda carece de uma importante ferramenta. "O DF precisa de um Centro de Referência que funcione da forma como foi previsto. Ou seja, um lugar onde as mulheres podem obter informação e apoio para prevenir-se contra a violência", diz. Um serviço como este teria sido importante para Marília*, 35 anos. Ela sofreu, ao longo de três anos, ameaças verbais do marido. "Ele me trancava em casa e ficava me ameaçando, dizendo que ia me matar. Me obrigava a dormir com ele. Ele nunca me bateu, mas eu não sabia o que fazer, com quem conversar. No dia que ele saiu de casa dizendo que voltaria armado, não aguentei de medo e...

Fonte / Direitos Autorais : Larissa Leite do Jornal de Brasília


BOA NOITE!!
BOM FERIADO!!

terça-feira, 1 de junho de 2010

VIOLÊNCIA DOMESTICA!! DIGA NÃO!!!


Violência Doméstica
Este é um problema que afecta muitos lares infelizmente. A vida não é feita apenas de coisas boas, mas também de pequenas conquistas diárias. Se fosse tudo bom e fácil tornava-se de certa forma monótona sem os pequenos prazeres das vitórias no dia-a-dia. Vitórias pessoais em prol bom bem-estar comum sem prejudicar ninguém. Deus criou o homem e a mulher para viverem em comunidade, compartilhar as coisas boas, apoiarem-se nos momentos mais complicados, zelarem um pelo outro, ou sejam, viverem numa entreajuda mutua em todos os momentos complementando-se como se fossem duas peças dispostas a trabalhar em conjunto fazendo parte da engrenagem do motor da vida. Encontrar o príncipe ou a princesa com o(a) qual sonhamos e pretendemos compartilhar a nossa vida e os nossos segredos mais íntimos encontram-se nos livros e contos de fadas. Na realidade É BEM DIFERENTE, há imensos factores com os quais nos temos de adaptar. Escolher ou parceiro(a) errado(a) é uma coisa que pode acontecer a qualquer pessoa e tal situação não deve ser observada com total negatividade, mas sim como parte integrante do nosso processo de aprendizagem e evolução espiritual, porque os erros não servem apenas para nos deitar a baixo mas sim como um método de aprendizagem na vida. Para conseguirmos viver em comunidade e total harmonia com o universo temos em primeiro lugar de conhecer o nosso intimo, encontrar o nosso equilíbrio e harmonia e assim poder dar aos outros todo o Amor Incondicional que está ao nosso alcance. Esse Amor vai-nos permitir aceitar os outros como são, com todas as suas virtudes e defeitos, tal qual como nós. Mas por vezes, depois das pessoas contraírem matrimónio, depois de se tornarem pais, assim que têm de enfrentar dificuldades maiores, problemas de alcoolismo ou atritos oriundos de heranças e partilhas fazem brotar nas pessoas os seus instintos mais primários (animalescos) fugindo assim da realidade partindo para a agressão física e verbal (psicológica). Neste ponto inicia-se a decadência de um relacionamento, pois o amor começa a diluir-se, os níveis de auto-estima baixam drasticamente, alterações no metabolismo nervoso impedem-no(a) de descansar (dormir) e aos poucos sintomas depressivos vão-se apoderando de si. Neste preciso momento necessita que alguém lhe estique a mão para o(a) auxiliar, mas a negatividade que transporta consigo e o medo de denunciar fazem com que continue a viver em condições muito precárias para o seu bem-estar e sanidade mental. Atingindo este ponto as pessoas chegam mesmo a cometer actos de loucura tais como a ingestão de comprimidos de uma forma demente provocando a morte por suicídio. Não, esta não é a solução, porque apenas àquele que nos permite viver (Deus) lhe é dado o direito de decidir quando é chegada a nossa hora de partir. Tenha consciência que não veio ao mundo para viver uma vida de martírio e sacrifício e, aceitando humildemente a condição de vida que lhe calhou em sorte, tome as necessárias medidas para a alterar e assim procurar a sua felicidade, bem como a dos que o(a) rodeiam. Faça uma introspecção e verá que você também tem a sua quota parte de responsabilidade e culpa naquilo que lhe está lhe acontecendo.
Todos erramos, também temos nossa parcela de culpa, se deixamos nos violentarem é porque não nos amamos, temos que melhorar a nossa auto estima,ou seja procure ajuda não só fisica mas também psicológica!!
Se valorize lute pela vida e por vc.
ISSIS ANTUNES

TENHAM UMA BOA TARDE!!!

segunda-feira, 31 de maio de 2010

BASTA!! É HORA DE VIRAR O JOGO!!!


Hora de virar o jogo
A melhor saída é denunciar o agressor. "Ainda que se pretenda continuar na relação, a vítima tem que denunciar", acredita a delegada Márcia Salgado, dirigente do serviço de apoio das Delegacias de Defesa da Mulher do Estado de São Paulo.

Como esclarece Márcia Salgado, um xingamento já é passível de denúncia por meio de uma queixa-crime. "O fundamental para pôr fim a uma situação dessas é jamais aceitar. A mulher não pode relevar, ela tem que desaprender a ser tolerante com o companheiro agressivo", relata a delegada.

Também não é necessário levar um tapa na cara, por exemplo, para denunciar. De acordo com a delegada Márcia, se a mulher desconfiar ter passado por uma situação de abuso, deve procurar ajuda em uma delegacia especializada ou outros órgãos que apóiam vítimas de violência doméstica.

"O abuso psicológico é o mais complexo, porque ele não pode se visto como uma lesão corporal. Mas, gritos, desqualificações e xingamentos são agressões sim", ensina a psicóloga Miriam Barros de Lima.

A especialista diz ser complicado para a mulher identificar-se como uma vítima. "A negação é sua maior defesa e, em muitos casos, ela não tem percepção da realidade. É necessário que algo grave aconteça com ela ou os com os filhos para procurar apoio", diz Miriam.

Embora seja doloroso, é possível virar o jogo. Mas para isso, a mulher tem de se sentir fortalecida principalmente com o apoio de uma amiga ou de um familiar. "É fundamental trabalhar a auto-estima e mostrar que ela pode ter um projeto de vida a dois com alguém que a respeite", destaca Silmara Santos, coordenadora do Centro Integrado de Atendimento à Mulher no Rio de Janeiro (Ciam).

As marcas da experiência não podem ser apagadas da memória e, muitas vezes, nem do corpo. "Auto-estima prejudicada, depressão, transtorno de ansiedade e lesões são algumas das conseqüências da violência doméstica", enumera Miriam. Toda vítima deve passar por um acompanhamento psicológico para resgatar a motivação e força para viver.

Lutar vale a pena. A brasileira Nariman Osman Chiah, de 21 anos, ficou conhecida depois de denunciar na TV as agressões do marido Ahmad Helaihel no Líbano. Grávida de cinco meses, ela criou coragem para fugir com o filho Abbás, 6 anos, para a Síria a pé. De lá, Nariman conseguiu retornar ao Brasil e agora vive em Matinhos, com a família, no interior do Paraná.






BOA SEMANA!!
ÓTIMO DIA!!