Este blog foi criado com a finalidade de denunciar os vários tipos de violencia contra as mulheres e contra todos os seres humanos.
A violência verbal é uma das piores agressões, a violência da subjetividade é outra das piores é aquela que aos poucos, assim como um veneno lento rouba a nossa indentidade e com o passar do tempo chegamos a conclusão que ja não sabemos mais quem somos????
Eu não entendo porque as pessoas dificultam tanto a vida. Aquele velho ditado - "atrás de um grande homem existe uma grande mulher" - é a mais pura expressão da verdade. Feliz do homem que souber "explorar" o poder feminino que tem em mãos. Se você tem uma mulher que te ama ao seu lado, cara, você terá o mundo. E o mundo será um lugar bem melhor para todos, se as mulheres forem tratadas com a devida atenção. Vou explicar.
A maioria dos problemas da humanidade é causada por uma legião de machos que só enxerga o próprio umbigo. A mulher está lá, toda devotada, apaixonada, e o cara só olha para si. Não valoriza. Um dia, ela cansa e desiste. Como dizem, a fila anda! E você perdeu uma puta oportunidade de ser feliz com ela. Mas, antes disso acontecer, porém, muita água rola. Muita insatisfação, mau humor, brigas, ofensas e palavras atravessadas. Os homens ainda terão de viver mil vidas para entender as mulheres. E mais algumas milhares delas para aprender a tratá-las bem.
Toda esta insatisfação gera reflexos nos mais diversos segmentos sociais. Uma mulher feliz, bem-cuidada, com uma vida sexual bacana, corre o mundo por você e se torna a pessoa, a patroa, a amiga, namorada, amante ou coisa que o valha, mais agradável deste mundo. Homens, entendam: as mulheres gostam de carinho, atenção, cafuné, conversa, surpresinhas, mimos e, claro, sexo de qualidade. Nossa espécie já relutou desde a Criação contra isto. Não dá mais. É burrice. Façam suas mulheres felizes e aproveitem para ser também. Quando isto acontecer, o mundo será um lugar melhor para se viver.
Violência doméstica contra mulheres - triste quadro sem tempo para acabar Sâmara Jorge samarajorge@hotmail.com Psicóloga. Psicoterapeuta de Orientação Junguiana 2009
Idioma: Português do Brasil Palavras-chave:
Elas são Marias, Eloás, Lúcias, Helenas, Carolinas, Cássias... Pertencem a diferentes classes sociais, níveis intelectuais, atividades profissionais, cores e raças...
Em comum têm apenas uma coisa: foram ou são agredidas por seus maridos ou namorados, pais ou padrastos de seus filhos... Escolheram esses homens para compartilhar a vida, formar uma família, dividir alegrias e tristezas, lutar com eles por uma vida melhor... Acreditaram que o amor que sentiam e dedicavam a eles os ajudariam a mudar... A cada dia, após uma briga ou agressão, um pedido de desculpas e a promessa de que aquilo não mais aconteceria, reacendia a esperança... Até o dia em que descobrem que as esperanças foram jogadas ao vento... O cenário interno é de pós-guerra... Não há mais nada, a não ser um sentimento de destruição, medo, vergonha, marcas irreversíveis no corpo e na alma e uma dor profunda, que leva tempo, muito tempo para acabar... Isso sem falar nas que morreram, vítimas das agressões e nos filhos que ficaram sem mães e pais que ficaram sem suas filhas...
Infelizmente os jornais quase que diariamente dão esse tipo de notícia. E muitos de nós ouvimos e pouco nos comovemos ou paramos para pensar na gravidade do assunto.
Por mais terrível que pareça, ainda hoje não é raro ouvirmos algumas pessoas dizendo que as mulheres gostam de apanhar, ou provocam seus maridos e por isso são tratadas dessa forma ou ainda que merecem apanhar, pois não fazem nada para mudar essa situação.
Esse deboche é tão agressivo quanto a atitude agressiva desses homens para com suas mulheres. Comentários desse tipo deveriam, sim, nos causar indignação, pois revelam ignorância e insensibilidade frente a uma terrível dor.
Outra forma de agressão é o pouco investimento em recursos para o amparo dessas mulheres, tais como abrigos, acompanhamento psicológico para toda a família, agilização dos processos, etc.
E como se tudo isso não bastasse, a agressão masculina dirigida às suas companheiras é banalizada, pois costuma ser vista como "briga de casal" e segundo o ditado popular, "em briga de marido e mulher não se mete a colher". Aqui estamos diante de uma terrível distorção, pois agressão física ou verbal, palavras de baixo calão e situação de humilhação são casos de polícia e, por vezes, de saúde pública e quem os presenciar deve se meter sim!
É natural que existam brigas e conflitos em todas as relações . O que não é natural é quando apenas uma das partes exerce seu poder de forma autoritária, impossibilitando o outro de exercer o seu direito de expressão. E é essa a dinâmica que se estabelece em casais cujas mulheres sofrem violência.
Em geral, o homem intimida a mulher através da força física e das ameaças de agressão aos filhos. As que dependem finaceiramente de seus companheiros ainda se veem reféns da ameaça de ver sua família passar por privações, caso reajam às atitudes violentas do marido.
Quando começam as agressões, a grande maioria das mulheres acredita se tratar de episódios isolados e quanto mais passiva for a sua atitude, quanto menos denunciar e mais esconder, mais frequentes e violentos eles costumam se tornar.
Pronto! Está estabelecida a relação de submissão, que vai minando a força da mulher, comprometendo sua auto-estima, de forma que, a cada agressão, menos reconheça sua própria força e suas capacidades para sair da situação em que se encontra. Atribui, cada vez mais, um imenso poder ao agressor e passa a ser acompanhada de um medo constante de falar, emitir opiniões, manifestar desejos ou sentimentos. Como também acha que pode controlar os destemperos do marido passa a evitar situações que acredita serem desencadeadoras de sua agressividade. Por exemplo, se ele gosta de silêncio, não deixa as crianças fazerem barulho; se reclama da bagunça da casa, procura manter tudo em ordem; se não sabe esperar, atende de pronto os seus pedidos e assim por diante.
Como resultado, recolhe-se e esconde as agressões sofridas, não apenas em função do medo, mas, especialmente pela vergonha que sente por ser agredida. E acaba por viver de forma muito solitária todo esse horror.
Contudo, fico me perguntando: Quem deve ter vergonha? A mulher que foi agredida, ou o homem que covardemente impõe à sua mulher e filhos um clima de terror? Certamente ele deveria se envergonhar e refletir sobre suas atitudes, pois dessa forma poderia buscar ajuda e compreender o que o leva a agir dessa maneira.
Gostaria aqui de fazer um parêntese para rapidamente dirigir o olhar para a questão do masculino.
Certamente, não há justificativa para tais atitudes, entretanto alguns pontos devem ser levados em conta. O agressor também é vitima de si mesmo, uma vez que não consegue controlar sua agressividade, não sabe o que fazer com suas emoções, fragilidades e frustrações (inevitáveis na vida de qualquer um de nós). Em geral agridem, porque não acessam os reais sentimentos vividos em determinadas situações, então, reagem agressivamente. Muitos aprenderam que, para exercer sua masculinidade devem ser brutos e autoritários, mas no fundo, toda essa arrogância e prepotência podem estar a serviço de esconder, em seus recônditos mais profundos, dores, inseguranças, humilhações vividas, maus-tratos...
O homem que agride também precisa de ajuda e acompanhamento. Em primeiro lugar, porque representa um perigo real para os que estão ao seu redor, principalmete para a sua família e mais especificamente para a companheira. E segundo, mas não menos importante, pela necessidade de olhar para si mesmo e buscar o caminho do crescimento. Muitos desses homens acabam por ter uma vida infeliz ou acabam com a própria vida. Perdem a família, a mulher a quem amam, o amor e o respeito dos filhos e, em casos extremos, perdem sua liberdade, pois acabam presos por chegar às últimas consequências.
Bem, voltando às mulheres, é preciso que levem a sério os riscos que correm e busquem ajuda o mais rápido possível. Mulheres agredidas tendem a achar que não acontecerá nada pior e que a situação está sob controle. Entretanto é preciso ter cuidado, pois essa é uma falsa impressão. Procurar todos os recursos, tais como a proteção de algum membro da família ou de amigos, buscar ajuda psicológica, orientação jurídica e assistência social pode ser a melhor saída.
Superar o medo e a vergonha é uma situação muito difícil, mas denunciar e expor a situação é a única saída possível para a grande maioria das mulheres nessa condição. Certamente, ao olharem para dentro de si mesmas, perceberão o esfacelameto de suas personalidade, mas é preciso acreditar que o tempo é um grande aliado para a reconstrução da vida e que todos os recursos necessários estão lá, dentro de si mesmas. Certamente, com ajuda psicoterapêutica será possível descobrir, antes de tudo, a imensa força que existe dentro de si, pois é preciso ser muito forte para suportar uma situação de violência.
Esse é, sem dúvida, o melhor caminho para que potenciais, qualidades, aspectos criativos, desejos, capacidade de tomar decisões e amor próprio desabrochem e floresçam, possibilitando, assim, que o brilho do sorriso, o respeito e a liberdade voltem a fazer parte de suas vidas.
Mulheres que sofreram violência doméstica soltam a voz As mulheres estão levantando a voz. E quando são vítimas da violência, o grito de socorro já toma o lugar do choro. Em 2008, o número de mulheres ouvidas pela Central de Atendimento à Mulher * Ligue 180 cresceu 32%, sendo que o maior número de ligações são do DF. Mas se o aumento da busca por ajuda significa mais conscientização, o perfil das mulheres traçado pela pesquisa expõe uma contradição e derruba o senso comum: das mulheres que relataram ter sofrido violência, 47,7% não dependem financeiramente do agressor. As dependentes somam 47,2%, enquanto outras 5,1% não informaram a situação financeira. A Central 180, um serviço nacional que orienta mulheres em situação de violência, é vinculada à Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM), da Presidência da República. Para a diretora da SPM, Kátia Guimarães, o diagnóstico feito a partir dos atendimentos é uma importante ferramenta para conduzir novas políticas públicas. "Percebemos que a autonomia financeira da mulher não a previne contra a violência. A partir daí, o governo vai elaborar ações de valorização da mulher em outras esferas. Será um trabalho focado na autoestima", afirma. Segundo Kátia,...
...(52,5%) relatou lesão corporal leve. Já 26,5% das mulheres denunciaram ameaça e, 5,9%, difamação. Mas para a diretora da SPM, um fator que chamou atenção foi o número de denúncias de violências não visíveis fisicamente nas mulheres, como perseguições, violência patrimonial, injúria e cárcere privado. "O aumento dessa violência não visível é uma vitória. É a consciência de que a violência tem várias formas de atuação. As formas veladas ficavam escondidas com a omissão das mulheres", diz. A maioria das 24.523 mulheres que denunciaram violência são casadas com o agressor, possui um filho, sofre a violência diariamente e com risco de morte, tem entre 20 e 30 anos, reside na zona urbana, possui o Ensino Médio completo e é negra. Além disso, o uso de álcool e/ou drogas está relacionado à 57,2% das denúncias. DF investe em orientação e serviços O Distrito Federal...
...atendimento às famílias vítimas passou da média de 2mil anuais para 10.114, em 2008. Das regiões administrativas, Ceilândia teve o maior número de atendimentos (1.138), seguida do Paranoá (1.680) e de Taguatinga (1.308). Além disso,para este semestre, está prevista a implantação de uma rede que unifique diversos órgãos governamentais no combate à violência, por meio de um programa de internet. Mas para a promotora do Núcleo de Gênero Pró-Mulher do Ministério Público do DF, Laís Cerqueira, a região ainda carece de uma importante ferramenta. "O DF precisa de um Centro de Referência que funcione da forma como foi previsto. Ou seja, um lugar onde as mulheres podem obter informação e apoio para prevenir-se contra a violência", diz. Um serviço como este teria sido importante para Marília*, 35 anos. Ela sofreu, ao longo de três anos, ameaças verbais do marido. "Ele me trancava em casa e ficava me ameaçando, dizendo que ia me matar. Me obrigava a dormir com ele. Ele nunca me bateu, mas eu não sabia o que fazer, com quem conversar. No dia que ele saiu de casa dizendo que voltaria armado, não aguentei de medo e...
Fonte / Direitos Autorais : Larissa Leite do Jornal de Brasília
Violência Doméstica Este é um problema que afecta muitos lares infelizmente. A vida não é feita apenas de coisas boas, mas também de pequenas conquistas diárias. Se fosse tudo bom e fácil tornava-se de certa forma monótona sem os pequenos prazeres das vitórias no dia-a-dia. Vitórias pessoais em prol bom bem-estar comum sem prejudicar ninguém. Deus criou o homem e a mulher para viverem em comunidade, compartilhar as coisas boas, apoiarem-se nos momentos mais complicados, zelarem um pelo outro, ou sejam, viverem numa entreajuda mutua em todos os momentos complementando-se como se fossem duas peças dispostas a trabalhar em conjunto fazendo parte da engrenagem do motor da vida. Encontrar o príncipe ou a princesa com o(a) qual sonhamos e pretendemos compartilhar a nossa vida e os nossos segredos mais íntimos encontram-se nos livros e contos de fadas. Na realidade É BEM DIFERENTE, há imensos factores com os quais nos temos de adaptar. Escolher ou parceiro(a) errado(a) é uma coisa que pode acontecer a qualquer pessoa e tal situação não deve ser observada com total negatividade, mas sim como parte integrante do nosso processo de aprendizagem e evolução espiritual, porque os erros não servem apenas para nos deitar a baixo mas sim como um método de aprendizagem na vida. Para conseguirmos viver em comunidade e total harmonia com o universo temos em primeiro lugar de conhecer o nosso intimo, encontrar o nosso equilíbrio e harmonia e assim poder dar aos outros todo o Amor Incondicional que está ao nosso alcance. Esse Amor vai-nos permitir aceitar os outros como são, com todas as suas virtudes e defeitos, tal qual como nós. Mas por vezes, depois das pessoas contraírem matrimónio, depois de se tornarem pais, assim que têm de enfrentar dificuldades maiores, problemas de alcoolismo ou atritos oriundos de heranças e partilhas fazem brotar nas pessoas os seus instintos mais primários (animalescos) fugindo assim da realidade partindo para a agressão física e verbal (psicológica). Neste ponto inicia-se a decadência de um relacionamento, pois o amor começa a diluir-se, os níveis de auto-estima baixam drasticamente, alterações no metabolismo nervoso impedem-no(a) de descansar (dormir) e aos poucos sintomas depressivos vão-se apoderando de si. Neste preciso momento necessita que alguém lhe estique a mão para o(a) auxiliar, mas a negatividade que transporta consigo e o medo de denunciar fazem com que continue a viver em condições muito precárias para o seu bem-estar e sanidade mental. Atingindo este ponto as pessoas chegam mesmo a cometer actos de loucura tais como a ingestão de comprimidos de uma forma demente provocando a morte por suicídio. Não, esta não é a solução, porque apenas àquele que nos permite viver (Deus) lhe é dado o direito de decidir quando é chegada a nossa hora de partir. Tenha consciência que não veio ao mundo para viver uma vida de martírio e sacrifício e, aceitando humildemente a condição de vida que lhe calhou em sorte, tome as necessárias medidas para a alterar e assim procurar a sua felicidade, bem como a dos que o(a) rodeiam. Faça uma introspecção e verá que você também tem a sua quota parte de responsabilidade e culpa naquilo que lhe está lhe acontecendo. Todos erramos, também temos nossa parcela de culpa, se deixamos nos violentarem é porque não nos amamos, temos que melhorar a nossa auto estima,ou seja procure ajuda não só fisica mas também psicológica!! Se valorize lute pela vida e por vc. ISSIS ANTUNES
Hora de virar o jogo A melhor saída é denunciar o agressor. "Ainda que se pretenda continuar na relação, a vítima tem que denunciar", acredita a delegada Márcia Salgado, dirigente do serviço de apoio das Delegacias de Defesa da Mulher do Estado de São Paulo.
Como esclarece Márcia Salgado, um xingamento já é passível de denúncia por meio de uma queixa-crime. "O fundamental para pôr fim a uma situação dessas é jamais aceitar. A mulher não pode relevar, ela tem que desaprender a ser tolerante com o companheiro agressivo", relata a delegada.
Também não é necessário levar um tapa na cara, por exemplo, para denunciar. De acordo com a delegada Márcia, se a mulher desconfiar ter passado por uma situação de abuso, deve procurar ajuda em uma delegacia especializada ou outros órgãos que apóiam vítimas de violência doméstica.
"O abuso psicológico é o mais complexo, porque ele não pode se visto como uma lesão corporal. Mas, gritos, desqualificações e xingamentos são agressões sim", ensina a psicóloga Miriam Barros de Lima.
A especialista diz ser complicado para a mulher identificar-se como uma vítima. "A negação é sua maior defesa e, em muitos casos, ela não tem percepção da realidade. É necessário que algo grave aconteça com ela ou os com os filhos para procurar apoio", diz Miriam.
Embora seja doloroso, é possível virar o jogo. Mas para isso, a mulher tem de se sentir fortalecida principalmente com o apoio de uma amiga ou de um familiar. "É fundamental trabalhar a auto-estima e mostrar que ela pode ter um projeto de vida a dois com alguém que a respeite", destaca Silmara Santos, coordenadora do Centro Integrado de Atendimento à Mulher no Rio de Janeiro (Ciam).
As marcas da experiência não podem ser apagadas da memória e, muitas vezes, nem do corpo. "Auto-estima prejudicada, depressão, transtorno de ansiedade e lesões são algumas das conseqüências da violência doméstica", enumera Miriam. Toda vítima deve passar por um acompanhamento psicológico para resgatar a motivação e força para viver.
Lutar vale a pena. A brasileira Nariman Osman Chiah, de 21 anos, ficou conhecida depois de denunciar na TV as agressões do marido Ahmad Helaihel no Líbano. Grávida de cinco meses, ela criou coragem para fugir com o filho Abbás, 6 anos, para a Síria a pé. De lá, Nariman conseguiu retornar ao Brasil e agora vive em Matinhos, com a família, no interior do Paraná.
SE VOCE É REALMENTE CONTRA A VIOLÊNCIA DOMESTICA!! Há um grupo de pretendentes no FaceBook postar um estado em que se finge ser contra a Violência Doméstica. This post in intended to inform and offend because these ignorant people need to be offended. Este post destina-se a informar no e ofender, porque essas pessoas ignorantes precisam ser ofendido. However, anyone who truly is against Domestic Violence will put aside their hurt feelings and prejudices and will read this. No entanto, quem realmente é contra a Violência Doméstica vai colocar de lado seus sentimentos de mágoa e de preconceitos e ler isto.
Here is what is being posted; Aqui está o que está sendo destacado; While you SCREAM at your woman, there's a man wishing he could talk softly to her in her ear. Quando você gritar com sua mulher, há um homem desejando que ele poderia falar baixinho para ela em seu ouvido. While you HUMILIATE,OFFEND and INSULT her, there's a man flirting with her and reminding her how wonderful she is. Enquanto você humilhar, ofender e insultar, há um homem flertar com ela e lembrando-lhe quão maravilhosa ela é. While you HURT your woman, there's a man wishing he could make love to her. Enquanto você ferir a sua mulher, há um homem desejando que ele poderia fazer amor com ela. While you make your woman CRY there's a man stealing smiles from her. Enquanto você faz sua mulher CRY há um homem roubando sorrisos dela. Post this on your wall if you're against Domestic Violence Este post em sua parede, se você está contra a Violência Doméstica
Anyone who refuses to acknowledge the majority of the victims of a crime does not want that crime to go away. Qualquer pessoa que se recusa a reconhecer a maioria das vítimas de um crime que não quer que o crime de ir embora. In fact, this intentional obfuscation is deliberate by those holding a purpose and political agenda to ensure that domestic violence continues. Na verdade, este obscurecimento intencional é deliberada por aqueles que possuem um propósito e uma agenda política para assegurar que a violência doméstica continua.
There is one sad reality that we must acknowledge and accept. Há uma triste realidade que devemos reconhecer e aceitar. Laws have been carefully crafted to ENSURE THAT DOMESTIC VIOLENCE IS NOT ELIMINATED so that it can be used as a tool for financial gain. Leis foram cuidadosamente criados para GARANTIR QUE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA não é eliminada de forma que ele pode ser usado como uma ferramenta para ganhos financeiros. That is the reality, not opinion. Essa é a realidade, e não parecer.
In 2005 four male victims of domestic violence filed a taxpayer lawsuit in California -- Woods. Em 2005, quatro homens vítimas de violência doméstica entrou com uma ação do contribuinte na Califórnia - Woods. v. Shewry. v. Shewry.
In 2007, Sacramento Superior Court Judge Lloyd Connelly dismissed the case, ruling that men are not entitled to equal protection regarding domestic violence. Em 2007, juiz da Corte Superior de Sacramento Lloyd Connelly julgou o caso, decidindo que os homens não têm direito a igual proteção em relação à violência doméstica. On 14 October 2008 the Court of Appeal reversed that decision and held: Em 14 de Outubro de 2008, o Tribunal de Apelação reverteu a decisão e declarou:
The gender classifications in Health and Safety Code section 124250 and Penal Code section 13823.15, that provide state funding of domestic violence programs that offer services only to women and their children, but not to men, violate equal protection. As classificações de gênero na saúde e na seção Código de Segurança 124250 e secção 13.823,15 Código Penal, que prevêem o financiamento estatal dos programas de violência doméstica que oferecem serviços somente às mulheres e seus filhos, mas não para os homens, violam a igual proteção.
It is the intention of DV lobbyist and others who receive DV funding to ensure that children continue to suffer the direct harm and collateral effects of DV so they can continue to seek funding to "tackle the problem". É intenção do lobista DV e DV outros que recebem o financiamento para assegurar que as crianças continuam a sofrer os danos directos e efeitos colaterais de DV para que eles possam continuar a procurar financiamento para "resolver o problema". Yet, they have no intention of eliminating DV. No entanto, eles não têm a intenção de eliminar DV.
With that in mind there are some policy makers who do want to see it end and want the laws changed to allow it to end. Com isso em mente há alguns políticos que querem ver o fim e querem que a legislação alterada para permitir que isso acabe. Almost two years ago I was asked to provide testimony at the Indiana State House on the topic of Addressing Domestic Violence and Child Custody Decisions . Quase dois anos atrás fui convidado a prestar depoimento na Indiana State House sobre o tema Abordagem da Violência Doméstica e decisões custódia da criança .
Unfortunately, the message is still not being heard. Infelizmente, a mensagem ainda não está sendo ouvido. Some lawmakers refuse to acknowledge at least half of all cases of DV. Alguns legisladores se recusam a reconhecer pelo menos metade dos casos de DV. I heard it said this year "99% of all acts of DV are committed by men". Eu ouvi dizer este ano, "99% de todos os actos de DV são cometidos por homens". Also, that "woman are the victims of DV." Além disso, que "as mulheres são vítimas de DV. This is deliberate misinformation intended to INCREASE the acts of DV. Esta é a desinformação deliberada intenção de aumentar os atos de DV. I will explain to you just how social psychologists have framed this issue to actually perpetuate acts of DV. Vou explicar-lhe apenas como psicólogos sociais têm enquadrado a questão realmente perpetuar atos de DV.
I still feel ashamed that I ever let it happen but I did take an oath to stand beside someone who was mentally ill and I didn't think having her sent to jail was the proper solution. Eu ainda me sinto envergonhado que eu nunca deixe que isso aconteça, mas eu fiz um juramento para ficar ao lado de alguém que estava mentalmente doente e eu não penso tê-la mandado para a prisão era a solução adequada.
After putting up with all the attacks and even having a gun pointed at our child and the physical abuse against him I finally called the Boone County Sheriff's Department one night around 11:00pm. Depois de colocar-se com todos os ataques e mesmo tendo uma arma apontada para nossas crianças e os abusos físicos contra ele finalmente chamado Departamento de Boone County Sheriff's uma noite em torno de 11:00. We lived on a corner lot out in the rural area. Nós vivemos em um terreno de esquina na zona rural. She and her gun were leaving one direction while law enforcement officers arrived from the other. Ela e sua arma estava saindo uma direção, enquanto policiais chegaram do outro.
When I asked about a protective order I was told by the deputy "No judge in this county is going to issue an order to protect a man." Quando eu perguntei sobre uma providência cautelar que foi dito pelo deputado "Nenhum juiz neste concelho vai emitir uma ordem para proteger um homem." He was correct. Ele estava correto. When I tried to get one against one of my stalkers I submitted the affidavits from witnesses clearly stating that this girl was coming by my house 20 times a day, had come in my house while I was gone, had taken items, etc. A police officer even told her to leave me alone. Quando eu tentei pegar um contra um dos meus perseguidores me apresentou a depoimentos de testemunhas afirmando claramente que esta menina estava chegando na minha casa 20 vezes por dia, havia chegado em minha casa enquanto eu estava fora, tinha tomado itens, etc A polícia oficial mesmo disse a ela para me deixar sozinho. The judge denied my petition. O juiz negou o meu pedido.
Another thing that the deputy said that night when I said was being abused by her was "Come on, you're a man." Outra coisa que o deputado disse que a noite quando eu disse que estava sendo abusada por ela foi "Venha, você é um homem." As to say, what's wrong with you, you can't stick up for yourself? Como dizer, o que há de errado com você, você não pode ater-se para si mesmo?
This illustrates the imbalance of power dynamic that helps to perpetuate DV attacks. Isso ilustra o desequilíbrio de poder dinâmico que ajuda a perpetuar ataques DV.
Judges and prosecutors are TRAINED to keep it going. Os juízes e procuradores são treinados para mantê-lo ir. They use phrases like "it's better to err on the side of caution" when issuing an order that is not supported by the evidence and is known to place the woman in a superior power position. Eles usam frases como "é melhor errar do lado da cautela" ao emitir uma ordem que não é suportada pela evidência e é conhecido por colocar a mulher numa posição de poder superior.
What they are really saying is, I need to remove power from one person and give it to another so that the [legally] powerless person will strike out violently from frustration. O que eles estão dizendo é verdade, eu preciso remover o poder de uma pessoa e dá-la a outro para que a pessoa [jurídica] impotente atacará violentamente para fora da frustração. If you had never done anything to harm your child but a judge issued an order for you to leave your home, never have contact with your children again and pay all of your spouse's expenses, would you feel frustrated? Se você nunca fez nada para prejudicar o seu filho, mas um juiz emitiu uma ordem para você deixar sua casa, nunca ter contato com seus filhos de novo e pagar todas as despesas de seu cônjuge, você se sentiria frustrado?
Guide to Psychology dot com reports that violence is the last resort of the weak and powerless. Guia de Psicologia dot com relatos de que a violência é o último recurso dos fracos e impotentes. That a man will commit an act of DV out of pure frustration for not being able to do anything else. Que um homem vai cometer um ato de DV de pura frustração por não ser capaz de fazer qualquer outra coisa.
Anyone who has objectively looked at DV situations and responses from the legal community know the reality for men. Qualquer um que tenha olhado situações objectivamente DV e respostas da comunidade legal conhecer a realidade para os homens. The police automatically assume that the man is the cause of the violence even if he shows signs of an attack and the woman doesn't. A polícia assume automaticamente que o homem é a causa da violência, mesmo quando ele mostra sinais de um ataque ea mulher não. Judges will refuse to issue orders of protection for male petitioners and will issue them to keep men away from their home, children and workplace without any evidence to support the unjustified order. Os juízes se recusam a emitir ordens de protecção aos peticionários masculino e emiti-las para manter os homens longe de casa, as crianças e local de trabalho sem qualquer evidência para apoiar o fim justifica.
The male victims feel disregarded, accused and powerless by those in a position of legal authority who have been trained to intentionally do this. As vítimas do sexo masculino se sentem ignorados, e acusado por aqueles impotentes em uma posição de autoridade legal, que foram treinados para fazer isto intencionalmente.
Psychologist Steven Stosny, Ph.D., based in Germantown, Maryland, says the things that make batterers turn to aggression are what he calls "core hurts." O psicólogo Steven Stosny, Ph.D., baseada em Germantown, Maryland, diz que as coisas que fazem agressores vez de agressão é o que ele chama de "núcleo dói." They boil down to a few--feeling disregarded, unimportant, accused, guilty, devalued or disrespected, rejected, powerless, inadequate or unlovable. Eles se resumem a alguns - sentimento ignorado, sem importância, acusado culpado, desvalorizado ou desrespeitado, rejeitado, impotente, inadequada ou amado.
Karen Parker Thompson, a domestic violence expert, says she knows that 85-95% of victims are females so that is what they tend to concentrate on. However, what she doesn't tell you is that men are victims in about 75% of cases. Karen Parker Thompson, especialista em violência doméstica, diz que sabe que 85-95% das vítimas são do sexo feminino para que é que eles tendem a se concentrar. No entanto, o que não lhe dizer é que os homens são vítimas em cerca de 75% dos casos.
The Center for Disease Control reports that half of all DV cases include mutual aggression. There is just no data to support that women are victims at a higher rate than men, especially 85-95% which is an absolute lie by Thompson. O Center for Disease Control informa que metade dos casos de DV incluem agressão mútua. Simplesmente não há como dados de apoio que as mulheres são vítimas de uma taxa mais elevada do que os homens, especialmente 85-95%, que é uma mentira absoluta por Thompson. Daniel Whitaker, PH. Daniel Whitaker, PH. D., in the May 2007 issue of the Journal of Public Health, a CDC publication, reported that 70% of DV victims in non reciprocal cases are men. That means that when one person attacks another that a man is the victim is more than two-thirds of the cases. D., em 2007 a edição de maio do Journal of Public Health, uma publicação do CDC, relatou que 70% das vítimas de DV em casos não recíprocos são homens. Isso significa que quando uma pessoa ataca outra que o homem é a vítima mais dois terços dos casos.
Mandatory arrest laws, once thought to protect women from domestic abuse, are now being repealed because the rates of arrest were much higher for women and this was contrary to the propaganda effort used in passing the laws. leis parada obrigatória, uma vez pensado para proteger as mulheres da violência doméstica, estão agora a ser revogado, porque as taxas de prisão foram muito maiores para as mulheres e isso era contrário ao esforço de propaganda utilizados na aprovação da lei. A 1998 study of arrests in Los Angeles revealed the effects of the "must arrest" law: When the number of arrested men doubled, the number of arrested women quadrupled with the implementation of mandatory arrest. Um estudo de 1998 de detenções em Los Angeles, revelou os efeitos do "deve prender" o direito: Quando o número de homens detidos duplicou, o número de mulheres presas com quatro vezes a execução de prisão obrigatória. The laws are now being adjusted to conform to the desired result of having more men arrested by giving police officers the discretion to not arrest females. As leis estão agora a ser ajustados em conformidade com o resultado desejado de ter mais homens presos por policiais dando margem para não prender as mulheres.
DV does happen organically in some people but policy makers, judges and prosecutors intentionally try to ensure that people are physically assaulted by creating a power imbalance. DV não aconteça de forma orgânica em algumas pessoas, mas os responsáveis políticos, juízes e procuradores intencionalmente tentar garantir que as pessoas são agredidas fisicamente, criando um desequilíbrio de poder. They do this for the very reason that when a problem is solved the money flowing to solve the problem dries up. Eles fazem isto pela simples razão de que, quando um problema é resolvido o dinheiro fluindo para resolver o problema de seca.
The US Department of Justice has a component called the Office on Violence Against Women (OVW) whose objective is to "reduce violence against women". O Departamento de Justiça E.U. tem um componente chamado de Office da Violência Contra as Mulheres (OVW), cujo objetivo é "reduzir a violência contra as mulheres". According the USDOJ the OVW has awarded nearly $4 billion in grants and cooperative agreements. De acordo com o USDOJ a OVW concedeu cerca de US $ 4 bilhões em subsídios e acordos de cooperação. This money has been used to create partnerships among "police, prosecutors, victim advocates, health care providers, faith leaders, and others". Esse dinheiro foi usado para criar parcerias entre os "policiais, promotores, advogados da vítima, os prestadores de cuidados de saúde, líderes religiosos, entre outros".
A perfect example of how a problem won't be solved because of those who rely upon the funding; The "war" on drugs. Um exemplo perfeito de como um problema não será resolvido por causa daqueles que dependem do financiamento; A "guerra" contra as drogas. The "drug problem" will never be solved so long as people are making money off the "fight". O problema da droga "nunca serão resolvidos enquanto as pessoas estão fazendo dinheiro com a" luta ". Same with the multi-billion dollar DV industry. Mesmo com o multi-bilionária indústria DV.
Anyone who is serious about combating DV will read what Gordon E. Finley, Ph.D. Quem leva a sério a luta contra o DV vai ler o que Gordon E. Finley, Ph.D. , Professor of Psychology at Florida International University in Miami, has to say about it in Facing Reality on Domestic Violence , Professor de Psicologia da Universidade Internacional da Flórida, em Miami, tem a dizer sobre ele em frente a realidade sobre Violência Doméstica
I have also written False Allegation of DV and Bogus Restraining Orders Harm Men, Women and Children and The Spurned Woman Who Cried Domestic Violence which may be viewed here . Eu também escrevi False Alegação de DV e injunções Bogus Harm Homens, Mulheres e Crianças e A Mulher Rejeitados Who Cried violência doméstica, que pode ser visto aqui .
Until there is a willingness to use truth in addressing this topic there will be no movement towards ending it. Até que haja uma vontade de usar a verdade para tratar este tema, não haverá movimento para acabar com ela.
As a victim of domestic violence I have been an advisor to legislative bodies, law enforcement, educators and others about the realities of domestic violence and effective solutions to combat it. Como uma vítima de violência doméstica que tenham sido assessor de órgãos legislativos, policiais, educadores e outros sobre a realidade da violência doméstica e soluções eficazes para a combater.
To those of you who perpetuate the MYTH that men are not victims of DV - You are shameless abusers of children!!! Para aqueles que perpetuam o mito de que os homens não são vítimas de DV - Você está abusadores de crianças sem-vergonha!
If you truly want to combat DV then you will post this as your FaceBook status instead: Se você realmente quer combater DV, então você vai postar isso como o seu status no Facebook em vez disso:
While a man hits a woman, there's a man wishing he could stop being hit or having things thrown at him. Enquanto o homem atinge a mulher, há um homem desejando que ele poderia deixar de ser atingido ou ter as coisas lançadas contra ele. While a woman complains that she feels helpless, powerless and abused there is a judge abusing the rights of a man and making him helpless and powerless. Quando uma mulher se queixa de que ela se sente impotente, impotente e abusada há um juiz de abusar dos direitos do homem e torná-lo indefeso e impotente. I acknowledge that women commit acts of Domestic Violence as much as men and it is not a gender issue. Eu reconheço que as mulheres cometem atos de violência doméstica, tanto quanto os homens e não é uma questão de gênero. Post this on your wall if you're against Domestic Violence. Este post em sua parede, se você está contra a Violência Doméstica.
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Fala-se das conquistas da mulher, como se a mulher de nossos dias tivesse seus direitos reconhecidos e respeitados por toda a parte. No entanto, bem longe a realidade.
A mulher ainda vive, nos dias atuais, num clima de opressão e submissão, sendo violentada das mais variadas formas. Ainda está longe da prática a alegada igualdade de direitos entre homens e mulheres. O fenômeno é mundial, mesmo em países considerados de primeiro mundo, onde o progresso intelectual e econômico é notório, a discriminação é uma realidade. Desigualdade de salários no Japão, pensões inferiores na Inglaterra, violência física na Suécia e exploração nos trabalhos domésticos na Alemanha, especialmente das mulheres estrangeiras.
A violência contra a mulher remonta à Antigüidade, cabendo esclarecer que o termo violência é tomado em sentido amplo, para abranger todas as formas.
A história da humanidade é uma história de lutas pelo poder, pelo domínio.
A mitologia greco-romana nos oferece relatos dessas lutas em todos os níveis. Os homens disputam entre si, os deuses disputam entre si, os deuses disputam com os homens. Os mais fortes subjugam os mais fracos que devem ser servis, humildes e obedientes. As mulheres não ficam fora desse contexto. Muito são os relatos de sedução, de estupro e de violência contra a mulher. Os deuses se disfarçam e descem até os campos com o fim de seduzir as ninfas enganado-as ou estuprando-as.
Conta a mitologia grega criação dos homens por Prometeu e da mulher pelos deuses do Olimpo que, sentindo-se ameaçados de perder seu poder, tiveram a brilhante idéia criarem a mulher para levar os homens à perdição.
Por esta razão foi criada, a partir de uma estátua de bronze uma forma humana, capaz de sensibilizar e encantar o homem e que recebeu de cada deus um dom. Apolo lhe deu a voz macia, Mercúrio lhe deu a língua, Atena lhe ofertou um belíssimo vestido que permitia perceber suas formas suaves, Vênus lhe deu a beleza infinita, e assim, recebendo dons que a deixavam cada vez mais formosa, foi criada Pandora. De Zeus, Pandora recebeu uma caixa que deveria entregar aos homens. Com a missão de destruir a raça humana, Pandora desceu a terra, encontrando Epimeteu que se apaixonou perdidamente encantado com sua beleza e formosura. Esquecendo a promessa que havia feito ao seu irmão Prometeu que nunca receberia nada que fosse dado por Zeus, Epimeteu recebe de Pandora a caixa na qual foram colocados todos os males da humanidade, como o orgulho, a ambição, a crueldade, a traição, as doenças, as pestes... No fundo da caixa havia um único bem capaz de salvar a humanidade, a esperança. Mas a um gesto de Zeus, após saírem todos os males, Pandora fecha a caixa impedindo que a esperança seja recebida pelos homens. Assim, perdeu a raça humana, o paraíso e a felicidade que poderia conquistar com sua inteligência e seu trabalho. Culpa da mulher.
O relato bíblico da perda do paraíso tem na mulher a grande vilã. Eva descumprindo ordem de Deus toma do fruto proibido, tenta Adão levando-o a comer do fruto. O resultado é de todos conhecido. O pobre homem foi vítima da astuta mulher.
A idéia de grandes pensadores do passado acerca da mulher, nada tem de lisonjeiro. Vejamos:
Eurípedes considerava a mulher como “Vítima de irremediável inferioridade mental”.
Pitágoras, filósofo grego que deu grande impulso à matemática dizia: “Existe o princípio bom que criou a ordem, a luz e o homem, e o princípio mau que criou o caos, a treva e a mulher”.
Aristóteles expressava o pensamento comum da época da seguinte forma: “A mulher é mulher em virtude de uma deficiência, que devia viver fechada em sua casa e subordinada ao homem”.
Shopenhauer, filósofo alemão, diria, muitos séculos depois: “A mulher é um animal de cabelos longos e idéias curtas”.
Com Jesus, tem início o longo e penoso trabalho de resgatar a dignidade da mulher. Foi o grande revolucionário judeu que deixou claro que a mulher, da mesma forma que o homem tinha uma alma e que poderia alcançar o reino dos céus.
Jesus, rompendo com os preconceitos da época, dialogava com as mulheres, a exemplo da samaritana, de Joana de Cusa, de Marta e de Maria, irmãs de Lázaro. Jesus não apoiou o apedrejamento da mulher adúltera, e aqui abrimos um parêntese para lembrar que ao lado de uma mulher adúltera existe um homem adúltero.
A prostitua de Magdala conversou com Jesus em público, numa demonstração inequívoca de que os preconceitos deveriam ser superados.
No entanto, sob a forte influência do judaísmo, com Paulo de Tarso, o cristianismo se desenvolve considerando a mulher a perdição do homem, a responsável pela perda do paraíso. Eis porque grandes filósofos ligados à Igreja tinham uma visão nada cristã da mulher, assim expressando-se:
Tertuliano: “Mulher és a porta do diabo. Persuadiste aquele que o diabo não ousava atacar de frente. É por tua causa que o filho de Deus teve de morrer; deverias andar sempre vestida de luto e de andrajos”.
São João Crisóstomo: “Em meio a todos os animais selvagens não se encontra nenhum mais nocivo que a mulher”.
São Tomás de Aquino: “A mulher é um ser “ocasional” e incompleto, uma espécie de homem falhado”.
Santo Agostinho: “A mulher é um animal que não é seguro nem estável; é odienta para tormento do marido, é cheia de maldade e é o princípio de todas as demandas e disputas, via e caminho de todas as iniqüidades”.
Nada mais violento que as expressões desrespeitosas desses pensadores, a respaldar ações de igual teor.
Eis os arquétipos predominantes em todas as sociedades da atualidade. A mulher é a causadora de toda desonra e de todo o mal, deve, pois sofrer.
O homem se acha superior à mulher em inteligência, capaz de fazer com melhor qualidade as coisas relacionadas com as atividades intelectuais, que exigem raciocínio lógico, e que a mulher além de inferior intelectualmente deve ser submissa. É a predominância do jogo de poder do qual ainda não se liberou. Detentor de um profundo egoísmo, o homem quer ser servido e vê na mulher uma serviçal para as tarefas consideradas inferiores como cozinhar e lavar roupas, cuidar da casa e dos filhos, além de transformá-la em objeto de seus desejos e prazeres sexuais, desconsiderando os desejos, os prazeres e o bem estar dela.
Esta idéia mesquinha leva-o a pratica de toda sorte de violência contra a mulher, independente de idade, grau de instrução e condição social.
Pesquisas revelam que a violência contra a mulher ocorre em todo o mundo e em todas as camadas sociais, que vai desde a discriminação com a mulher solteira, com a virgindade, a desigualdade salarial para exercício de funções iguais, exploração sexual, até o espancamento e o homicídio.
As formas mais comuns de violência são:
Violência física
Lesão corporal – espancamento – art. 129 CP
Tentativa de homicídio – art. 120 CP
Homicídio – art. 121 CP
Violência sexual
Estupro – art. 213 CP
Assédio sexual – art. 216 A CP
Atentado violento ao pudor –art. 214 CP
Sedução – art. 217 CP
Rapto – art. 219 CP
Importunação ofensiva ao pudor – art. 61 LCP
Violência emocional/moral
Agressões verbais
Pressões
Ameaças – art. 147 CP
Induzimento ao suicídio – art. 122 CP
Discriminação profissional
Diferença salarial - art. 5º e 7º, XXX, CF.
Desigualdade de oportunidade de crescimento - art. 5º e 7º, XXX, CF.
Discriminação racial
Preterição de emprego em razão de cor ou raça - art. 5º e 7º, XXX, CF.
Deixar de vender em razão de cor ou raça
Racismo – Leis 7.716/89 e 8.081/90
Outras discriminações e violências
Religião – art. 5º CF
Ideologia política – art. 5º CF
Problemas de saúde física ou mental - art. 5º e 7º, XXXI, CF.
Aparência – art. 5º CF
Destruição de documentos – art. 305 CP
Calúnia – art. 138 CP
Difamação – art. 139 CP
Injúria – art. 140 - CP
Inexistem dados precisos acerca da violência praticada contra a mulher no Brasil.
No entanto, pesquisas revelam que no Brasil, de cada 100 mulheres 25 sofrem violência física, das quais 90% acontecem no ambiente familiar. Vê-se, de logo, o alto índice de violência doméstica, a maioria praticada pelos maridos ou companheiros, padrastos, pais e irmãos.
Tais pesquisas ainda evidenciam que a maioria dos casos não é denunciada, havendo denúncia de apenas 1/3.
As mulheres têm medo de sofrer represálias, temem um escândalo com abalo de sua reputação no meio social, ou não sabem a quem recorrer. Insegurança, medo, indiferença das autoridades públicas e da sociedade, impunidade, dentre outros fatores, contribuem para que não haja a denúncia.
Julgo importante registrar que a mulher tem contribuído para manter essa situação, seja pela apatia com que recebe a violência ou vê violentadas outras mulheres, sem mobilização para qualquer tipo de reação e apoio, seja por aceitar sem questionar, padrões impostos pela mídia e pelo poder econômico, com vistas ao consumo, transformando-se, não raro, em objeto e símbolo sexual. A felicidade deixou de ser conseqüência de uma vida estável emocionalmente e realizada profissionalmente, com a satisfação das necessidades básicas e fundamentais de afeto, carinho, alimentação, habitação, instrução, cultura e lazer, de crescimento espiritual, enfim, de uma vida digna como ser humano, para estar na posse, no poder, na beleza e na juventude. A mensagem sub-reptícia que é passada pela mídia, é que para ser feliz, a mulher tem que consumir tais ou quais produtos, “malhar“ “x” horas por dia, usar roupas desta ou daquela grife, tomar café “magro”, enfim, tudo que lhe proporcionará posse, poder, beleza e juventude, comprando ilusão para mascarar uma realidade difícil, num processo de auto-anestesiamento.
Impõe-se despertar. A felicidade está na harmonia de uma convivência familiar e social de respeito, de solidariedade e de complemento.
Homens e mulheres são iguais em direitos, mas diferentes em funções. O homem não pode exercer a maternidade. A gestação e o parto são funções tipicamente femininas. A amamentação é função da mulher que tem organização física diferente da organização física do homem. Há, portanto, diferenças como estas que têm que ser observadas, respeitadas e tuteladas pela lei. Compreendendo estas diferenças e que elas se complementam, os sexos opostos devem viver em comunhão, num processo de doação recíproca, para que sejam felizes, e não em disputa pelo poder e pelo domínio.
Compreender esta realidade é questão de educação e de conscientização.
Lembremos que podemos tirar da caixa de Pandora a esperança, colocá-la em nossos corações para enfrentar o grande desafio de acabar com a violência sob todas as modalidades, em especial a violência contra a mulher.
O trabalho será árduo e ainda demandará tempo, mas de braços cruzados nada faremos. Organizemos-nos, portanto, e vamos à luta.
Cárcere doméstico A coragem de denunciar a violência que Roberta* sofria surgiu como um ato de sobrevivência. A dona de casa, de 32 anos, não aguentou mais a pressão de viver como refém do marido alcoólatra. O casal morava até semana passada numa chácara no interior de Goías numa situação de cárcere doméstico. "Tudo o que ele fazia eu tinha que estar junto. Se ia campinar o mato, me obrigava a ficar do lado dele. Ele achava que eu ia fugir da chácara e não me deixava fazer nada sozinha", lembra. A companhia constante do marido era marcada por momentos de violência verbal e física. Xingamentos, chutes e puxões de cabelo faziam parte do dia a dia até a última segunda-feira, quando Roberta quase morreu nas mãos do algoz que tinha dentro de casa. http://www.geledes.org.br/noticias-direitos-humanos/violencia-domesticao-grito-das-mulheres.html
Ela levou golpes de facão por todo o corpo e só conseguiu escapar da ira do marido quando ele viu a quantidade de sangue derramado no chão. "Quando percebeu que os cortes na cabeça, no rosto e nas costas estavam profundos, me largou e chamou o dono da chácara para me levar ao hospital. Mandou eu dizer no hospital que tinha brigado com uma mulher num bar. Mas, quando vi o policial, não tive dúvidas em denunciá-lo. Ele foi preso na frente do hospital", conta a vítima. Roberta agora está na Casa Abrigo - local sigiloso de proteção às vítimas de violência doméstica oferecido pelo GDF - e espera melhorar seu estado de saúde para projetar uma nova vida. "As mulheres têm que denunciar os agressores antes de estarem mortas", aconselha
COM ROSALI FOI ASSIM Rosali tinha 17 anos. Assistia televisão em casa, num bairro da periferia de uma grande cidade, quando decidiu sair para comprar um sanduiche. No caminho, foi interceptada por dois homens e estuprada sob ameaça de uma arma. Assustada, voltou para casa e em companhia da mãe foi à delegacia. Dalí, as duas seguiram ao hospital. Na emergência, recebeu cuidados ginecológicos inadequados para uma situação de violência sexual (ducha vaginal). Dois meses depois ela descobre a gravidez e recorre ao serviço que lhe atendeu na ocasião do estupro. Ninguém sabia o que fazer. A mãe, segura de seus direitos procurou as autoridades. Ela dizia: _ Alguém precisa fazer alguma coisa, essa menina não pode continuar grávida. Ela não procurou isso. Rosali cabisbaixa, apenas chorava. Três meses após a interrupção de gravidez, realizada numa maternidade pública de referência para vítimas de violência sexual, a adolescente deu notícias para quem lhe atendeu: _ Oi doutora, aqui é Rosali, a menina do estupro. Liguei para dizer que estou bem. Arranjei um emprego e voltei a estudar. A vida de Rosali retomava seu curso. (Brasil, 1996)
ADÉLIA
Adélia está só em casa. Chega um rapaz à sua residência, pergunta por seus familiares e pede um copo d'água. Adélia dirige-se à cozinha e é seguida. Com uma faca no pescoço ela é estuprada e ameaçada de morte caso revele o fato a alguém. Adélia permanece em silêncio até descobrir que está grávida. Sente medo e vergonha. Conta tudo à sua mãe e não recebe a acolhida esperada. Ela não lhe dá crédito e tampouco a aconselha a prestar queixa ou tomar qualquer outra atitude. Adélia acredita que a falta de informação leva sua mãe a agir dessa maneira. Por iniciativa própria, ela procura a Delegacia da Mulher também esperando um atendimento especial, mas o serviço está em greve. A delegada ausente. Dias depois Adélia consegue ser atendida por ela, afirma que conhece seus direitos e quer realizar um aborto. Sem nenhum tipo de orientação é encaminhada ao IML. É mal recebida pela recepcionista e questionada sobre a demora em prestar queixa. Faz o exame de corpo de delito com uma médica que lhe trata de "forma mecânica". Depois de longa espera para liberação do laudo, Adélia volta a falar com a Delegada. Ao ser inquirida por Adélia sobre em que maternidade poderia interromper a gravidez, "agressivamente" a delegada lhe responde: "eu não posso dizer isso não, você se vire". Sem saber onde fazer o aborto, Adélia procura médicos de sua relação pessoal que lhe indicam um serviço de referência. Neste local ela é atendida por um médico e uma enfermeira - cordiais e gentis, pois, segundo percebe, eles estão acostumados a realizar este tipo de procedimento. Em seguida, Adélia é acompanhada pelo serviço social e orientada sobre o direito de realizar o aborto de forma segura. Durante a internação e realização do aborto Adélia fica só. Nesse momento sente a indiferença de alguns profissionais de saúde que não fazem parte da equipe sensibilizada e treinada para atender vítimas de violência sexual. Uma auxiliar de enfermagem tenta convencê-la a não fazer o aborto dizendo que isso é contra a lei de Deus; que conhece muitas mulheres estupradas que tiveram seus filhos, hoje, considerados bons filhos. Adélia espera uma atitude imparcial e reage: "vocês deviam ser pessoas neutras, porque este não é um problema de vocês, isso é um problema meu, que eu estou tentando resolver... O aborto ocorre durante a noite. Ao término do tratamento, sente-se aliviada. Segura da decisão que havia tomado, ela esperava um acompanhamento diferente dos serviços por onde passou.
SUELENE
Suelene foi abusada sexualmente pelo pai durante um ano. Ameaçada com uma faca, ela era obrigada a manter relações sexuais. Sentia-se muito mal, mas com medo ela nada contava para sua mãe. Com a gravidez a mãe descobre o que está acontecendo e juntas vão ao Conselho de Proteção aos Direitos da Criança e Adolescente e à delegacia e ao IML onde foi feito o exame de corpo de delito. O agressor foi preso imediatamente. É encaminhada para tratamento no hospital de referência, sendo atendida por uma equipe com assistente social, psicóloga e médicos. A mãe e uma tia lhe dão apoio durante a denúncia e todo acompanhamento de saúde. Em todos os serviços ela afirma ter recebido um ótimo atendimento, compreensão, apoio e força para superar o que estava acontecendo. Ela decide abortar, porque mesmo considerando o aborto uma agressão para a mulher, não suporta a idéia de ter um filho do próprio pai. Suelene conhecia a lei que permite a interrupção da gravidez por estupro porque assistiu a uma entrevista na televisão onde o assunto foi tratado. Mas, pra ela não foi uma decisão fácil. "Se a gravidez fosse de um namorado eu enfrentaria com unhas e dentes, mesmo sem ajuda do pai eu não abortaria". Após o aborto e o fim do tratamento clínico Suelene sente muito bem. Para ela é importante ter feito tudo dentro da legalidade, "tudo na justiça" e "ele estar preso". Fazer o aborto num serviço público lhe dá a certeza de que não ficaria com problema nem correria risco de vida. Ela diz conhecer casos de aborto, feitos "no silêncio" onde as meninas ficam doentes e até morrem. Ao sair do hospital Suelene tem medo das críticas, mas acredita que o mais importante é o que ela pensa e não a opinião dos outros. Durante o depoimento ela afirma sentir muito ódio pelo pai. Mas o apoio familiar e das instituições públicas parece ter sido - ou estar sendo - fundamental para a superar os problemas associados ao abuso sexual.
ANA LÚCIA
Ana Lúcia foi abordada por um rapaz, num ponto de ônibus. Ele lhe chamava insistentemente a Ana, com medo de falar com desconhecidos, seguia adiante. O rapaz aproximou-se perguntando se ela queria trabalhar como recepcionista recebendo dois salários mínimos. Recusando a oferta, Ana disse-lhe que estava apressada e precisava ir embora. Nesse momento, ele passou a ameaçá-la de morte caso gritasse, disse estar com um revólver cheio de bala que poderia descarregar em cima dela. Poderia até obrigá-la a fazer sexo oral, anal e vaginal na frente de todos, pois não tinha nada a perder e até matá-la alí mesmo. Vendo-se sem saída "eu não tive outra opção" Ana Lúcia o acompanhou "olhando só para ele para ninguém desconfiar de nada" como lhe foi exigido. Ele conversava e sorria, e seguiram andando normalmente como se fossem amigos. Ana Lúcia é estuprada num matagal próximo à delegacia. Durante o ato, o agressor faz comentários sobre si mesmo e sua vítima. Revela que saiu do presídio recentemente, onde estava por ter assassinado o responsável pela morte de seu irmão. Faz elogios e comentários agressivos sobre sua vítima: "você é muito ignorante, mas é bonita". Ela chora e lhe pede pelo amor de Deus que pare de lhe tocar. Ele irrita-se, diz não agüentar mais ouvir esse nome, "pare com esse chororô" isso "é o que mais se ouve lá no presídio". Diz não saber porque estava fazendo aquilo com ela, só sabia que não ia parar porque estava bom. Pergunta se ela tem dinheiro. Lhe pede uma foto de lembrança, aponta para a casa onde mora. Recomenda que ela vá embora sem olhar para trás e não o denuncie, senão ele rodará os quatro cantos do mundo para encontrá-la e matá-la junto toda a família. Após a agressão, com medo de contrair HIV, Ana Lúcia dirigiu-se à Casa da Cidadania para pedir auxílio. Acompanhada por uma assistente social, ela foi ao Departamento de Proteção da Criança e do Adolescente, mas pode ser atendida porque era maior de 18 anos. Prestou queixa na delegacia, fez o exame no IML e foi encaminhada para o serviço de saúde de referência. Ana Lúcia considera que recebeu um bom atendimento em todos os serviços por onde passou, mas acredita que foi assim porque a assistente social esteve ao seu lado todo o tempo. Ela recomenda que os serviços sejam mais ágeis e ressalta a necessidade de haver profissionais especializados para atender as pessoas vítimas de violência "porque uma pessoa assim precisa de muita atenção". Ela ressalta a importância do médico ter sido atencioso, ter ficado preocupado por ela estar em período fértil, ter tomado as providências com rapidez.
CRISTINE
Ao nascer, Cristine não foi aceita pelo pai sendo criada pela avó materna. Ele queria que o primeiro filho fosse homem. Quando completou sete anos, sonhando conviver com seu pai, mãe e irmãos ela foi morar com os pais. Logo de início ele a proibiu de fica no mesmo quarto dos irmãos e colocou-a para dormir na sala. À noite, com todos dormindo ela passa a ir até onde Cristine dorme. Toca-lhe o corpo, alisa seu peito e ao perceber seu choro a ameaça. Coloca um revólver do seu lado e avisa que se contar a alguém ela morre. Cristine é abusada dos sete aos treze anos. O pai faz um buraco na parede do banheiro para lhe observar durante o banho. Ele lhe diz que ninguém pode com ele, que "aqui na terra ele pode mais que Deus. O medo "me fraquejava". Ela temia não ser mais virgem. Cristine sente-se uma escrava em sua casa. É tratada de modo diferente dos irmãos, realiza todas as tarefas domésticas e não entende o motivo. Acha-se rejeitada e perseguida pelos pais. Apanha com chicote, leva murros do pai e surras da mãe. Num dado momento decide contar para a irmã e uma prima o que acontece durante a noite. A prima lhe aconselha falar com a mãe. Esta, não acredita, ou melhor diz que ela deve estar dando motivo para isso acontecer e passa a ameaçá-la. Sempre que fazia algo errado ou deixa alguma tarefa doméstica sem realizar, a mãe avisa que vai contar ao marido o que ela lhe contou. "Ela usava isso pra cima de mim como se fosse uma arma". Cristine sente-se vigiada. Não pode sair só de casa nem conversar com ninguém, um dos pais está sempre por perto. Ela não sabe a quem pedir ajuda. Até que, num certo dia, conversando com uma funcionária da biblioteca da escola onde estuda, Cristine relata sua história e é levada a um serviço de saúde de referência. Faz exame clínico e ginecológico, acompanhamento psicológico e é apoiada na processo de saída de casa. Ela vai morar com um primo que solicita sua guarda à justiça e denuncia o pai. O delegado quer provas para prendê-lo e lhe sugere: "você deixa seu pai lhe espancar... e depois que ele lhe espancar bem muito você corre pra cá!". Ela lhe faz uma contra-proposta: abrir uma sindicância no local onde ela reside para investigar quem ele é. Após prestar queixa ela faz o exame de corpo de delito. Fica aliviada por ainda ser virgem. Os pais de Cristine continuaram ameaçando-a por longo tempo, acusaram-na de prostituição, de levantar falso testemunho e não foram punidos pelos crimes que cometeram. Sobre os serviços, Cristine avalia muito bem o setor saúde. Ela teve todo acompanhamento necessário, compreensão e apoio. Mas, para ela, os setores que poderiam impedir que ela continuasse sendo agredida pelo pai não atuaram de modo adequado. Lentos e inoperantes na resolução de seu problema, ela sugere à delegacia, ao IML e à Procuradoria que sejam mais eficientes no cumprimento de suas responsabilidades.
...Não sei ao certo quando começou, aliais fiz questão de esquecer.
Tinha mais ou menos 10 anos de idade. Era de manhã quando brincava pela casa, subi no 1º andar, meu irmão (nove anos mais velho estava deitado em uma cama de campanha, me chamou e pediu para que eu tirar (espremer) espinhas que ele tinha nas costas. Ele estava de, short, sem camisa, espremi 02 ou 03 espinhas meio sem jeito e ele me pediu para fazer o mesmo em mim. Disse-lhe que não tinha e ele me pediu para ver, insistindo. Eu permiti. Percebi que ele desceu a mão e alisou por entre as minhas pernas de maneira rápida. Eu me assustei e aproveitei algumas pessoas falando e corri enquanto ele dizia: “Peraí, peraí, vem cá!”. Desci os degraus mais que depressa quando cheguei em baixo, minha irmã (seis anos mais velha) foi entrando em casa e eu resolvi que ia contar tudo a Ela. Não consegui, as pernas tremeram, esbarrei em minha timidez, fiquei com medo de que achasse que eu o tinha provocado. TIVE MEDO! Ai começou meu inferno que dura até hoje.
Em 1972, após 21 anos de casamento e 9 filhos meus pais se separaram, sou a oitava. Três (03) ou quatro (04) anos depois passei a trabalhar para ajudar minha mãe. Ela dizia que os filhos eram o maior transtorno da vida dela. Tenho certeza até hoje de carregar um complexo de culpa muito grande, junto com o de rejeição. Naquela época eu muitas vezes trabalhava sozinha em cima de um banco para poder ficar maior e atender melhor os clientes. Minha vida era da escola para loja e da loja para casa almoçava muitas vezes dentro da loja como lá também fazia os meus deveres, de casa. Não tinha brinquedos, não me permitiam ter amigos ou colegas, pois poderiam me colocar contra minha mãe, senhora absoluta e ditadora de normas e regras. Meu único divertimento quando ela me deixava era assistir TV. Minha mãe inventou de estudar à noite para encobrir seu comportamento pornográfico para uma Empresária, mãe de 09 filhos que muitas vezes varava a noite em boates de quinta categoria - e eu a via chegando as 5:30hs. da manhã, na hora que eu estava indo para missa levar minha tia que morava conosco.
Minha vida tornou-se um inferno quando meu irmão então envolveu-se com roubo de toca-fitas e arruaças em um Estado vizinho, ele foi preso, não sei quanto tempo ele passou. Acho que não chegou há 01 mês, ele voltou e começou a me perseguir à noite, quando as pessoas dormiam. Ele vinha se chegando, começava a pegar nos meus peitos, passava a mão em minha bunda, introduzindo o dedo em meu ânus fazendo eu masturba-lo. Em seguida ele se trancava no banheiro e lá passava horas, com umas revistas de sacanagens.
0 meu relacionamento com minha mãe era um abismo. Ela queria a liberdade e os filhos eram naturalmente um empecilho ao processo que ela queria vivenciar. Nunca recebi nem uma forma de carinho dela, e não a perdôo pelo "presente de grego" que ela me proporcionou, para que sobrasse dinheiro para suas “putarias", farras e para gastar "com bebidas e homens. Ela permitiu que o verme do meu irmão dormisse em minha cama.
Desejei tantas vezes morrer. Não sabia como se engravidava, as vezes achava que estava grávida só por ele colocar o dedo em meu ânus. Bloqueei todos os tipos de reação ou sensação que isso pudesse causar. Me sentia suja, imunda, nojenta, achava que só ao olhar para mim as pessoas iriam descobrir. Entristeci-me para vida, para o mundo. Minha Mãe ocupada demais para qualquer coisa inclusive para se dar conta que meu irmão era um pervertido e na calada da noite até mesmo com ela dormindo na cama ao lado ele me molestava.
Em uma das noites malditas, esse pervertido foi mais além: introduziu seu pênis em meu ânus, aumentando mais ainda minha re- pulsa, minha revolta e o nojo que sentia de mim mesma.
Durante todo o tempo que isso aconteceu não existia diálogo, ele simplesmente atacava-me nas portas da geladeira, do banheiro ou vendo TV e o mais cruel era saber que na cama ao lado dormia minha mãe, que ela consentia ele dormir comigo em uma cama de solteiro.
Tentei inúmeras vezes criar coragem para falar pois sempre tive a certeza que minha mãe não iria acreditar. Estava certa.
Quando eu tinha 19 anos ela soube e disse: “Não acredito que houve isso e se houve foi culpa sua”.
Um certo dia houve um surto de doença venérea entre meus irmãos e foi assim que eu mesma passei toda vez que ele chegava eu repetia continuadamente: doença venérea, doença venérea, doença venérea... até ele sair de junto de mim. Parece que isso lhe dava medo e ele só respondia: “Cala boca, não fale isso, eles vão descobrir. "
Sinto-me hoje melhor de poder dividir em palavras escritas, como foi que tudo aconteceu, sabendo que este fato pode ajudar outras pessoas a se livrarem, se libertarem do abuso sexual.
Eu queria ter sido uma criança, uma adolescente e uma adulta normal, sem precisar ter passado por isso. Estou recomeçando a minha terapia, pois tornei-me uma pessoa agressiva e incrivelmente defensiva ao- ponto de dificultar minhas relações sociais e amo- rosas. Minha maior revolta e ver que até hoje passados 25 anos minha mãe continua acolhendo-o e ele continua aliciando menores, meninos e meninas com menos de 10 anos de idade, que como eu cedem por medo ou sei lá o que, e satisfazem os prazeres sórdidos de um aliciador profissional.
epoimentos e Histórias Registradas na Memória
"Eu acho que violência contra a mulher é o que aconteceu comigo e que acontece com outras mulheres. Se ele fosse um estranho, eu até que não estava tão revoltada, mas foi meu pai, ele não me respeitou em momento algum. Ele não me considerou como filha. Outro caso de violência é o espancamento. Além disso, eu acho que tem muito homem que tira a privacidade da mulher e pra mim isso já é uma violência. Eles fazem isso com as mulheres porque eles acham que são homens e podem tudo. Eles não vêem que se não fosse a mulher eles não estariam no mundo. Eles não olham essa parte não. Eles não, a maioria". (Gabriela sofreu abuso sexual, físico e psicológico por parte do pai, dos sete aos 13 anos de idade. Conseguiu sair de casa aos 14 com apoio de um serviço de saúde. (Brasil, 2000).
"Eu acho que existe violência de todo tipo. Acho que existe a discriminação muitas vezes, sabe? De você ser taxada como menos capaz. Existe aquela de casa, do marido, das mulheres que não têm um grau de instrução melhor, das mulheres que não trabalham, das mulheres que ficam em casa cuidando dos filhos. Do marido que bate, que aparece com outras na cara delas e elas não podem dizer nada porque são sustentadas por eles. E eles acham que a mulher está alí para servir de qualquer coisa, entendeu? Que eles podem falar qualquer coisa: que ela é isso, que ela é aquilo e que a mulher não pode fazer nada, entendeu? Eu acho que, por ser mulher, você ainda não pode sair sozinha. Eu estava conversando com um amigo meu, num bar, e duas mulheres estavam tomando umas cervejas, e ele disse: _olha lá: duas mulheres sozinhas numa mesa, estão esperando homem! Eu falei: qual é o problema de duas mulheres, numa sexta-feira à noite, estarem sentadas num bar? São duas amigas, tomando uma cerveja". Ele respondeu: _ que nada, quando você vê duas mulheres sozinhas, numa mesa, é porque tão esperando algum macho, alguma coisa desse tipo! Eu disse: menino! Como tu és machista, pelo amor de Deus! Quer dizer que um homem sentar numa mesa de bar sozinho é normal, mas a mulher, não? Ele respondeu: Não! (Adélia. Brasil, Ano 2000).
A HISTÓRIA DE SÔNIA Final de ano. Sônia, 16 anos, voltava do colégio onde fez a matrícula para ingressar no segundo grau. Esperava para atravessar a rua. Um carro parou subitamente. O motorista abriu a porta e a puxou para dentro. Ameaçando-a com uma arma e dirigindo em alta velocidade, ele seguiu para uma mata afastada da cidade. Sexo oral, vaginal, uma, duas vezes. Calada, ela pensava em sua mãe e chorava. _Se você contar a alguém o que se passou, você e sua família morrem. Sônia foi para casa. Lavou-se à exaustão. Sentia-se suja. Tinha nojo de sí . Vomitou muito. Chorou em silêncio e ficou em casa vários dias. Conversou com uma amiga. Não queria incomodar sua mãe, recém-separada do marido, alcoolista, que lhe batia. A filha não queria lhe dar mais uma tristeza. Duas semanas após ela teve um pequeno sangramento e achou que era a menstruação. Quis esquecer tudo. Três meses depois, uma vizinha disse para sua mãe: _Tu não estás vendo que tua filha está grávida? A mãe foi procurá-la e perguntou: _Quem foi? Porque você me enganou? Por que você não me disse nada? Foi difícil convencer a mãe do que acontecera. Em companhia de uma prima, Sônia procurou um grupo de mulheres de sua comunidade e pediu orientação. Pouco se podia fazer, não havia serviços de atenção a vítimas de violência naquela cidade. _ Se eu tenho esse filho, lá no bairro vão dizer que eu sou uma prostituta. Se eu digo que foi estupro ninguém acredita. Nem minha mãe acreditou em mim! Sem acesso a um serviço de saúde que a atendesse dignamente, ela procurou o aborto clandestino e foi atendida num consultório sem as mínimas condições de segurança, expondo-se aos riscos da mortalidade materna porque a rede pública de saúde ainda não oferecia os serviços que poderiam garantir a Sônia o exercício de seus direitos. (Brasil, 1990)
JOSEFA E SEU COMPANHEIRO Josefa voltava para casa com a filha adolescente, quando foi atacada por três homens. Reagiu, lutou contra e gritou: Corra minha filha! A menina conseguiu fugir. Josefa foi estuprada. Engravidou. Ao descobrir a gestação, ela conversou com o marido. Sentia muita tristeza. Raiva daqueles homens. Culpa de não ter conseguido se defender direito, de ter passado naquele lugar. Lembrava da filha e agradecia a Deus por não ter acontecido coisa pior. Ela não queria esse filho, mas não tinha coragem de abortar. Sua religião condenava o aborto. O marido lhe disse que aceitaria o filho como seu. Josefa sentiu-se apoiada, mas queria ser atendida num serviço de saúde. Mesmo com apoio do marido e tendo decidido ter o filho, a rejeição pela gravidez continuava. Ela procurava uma psicóloga que lhe ajudasse a enfrentar aquela situação. Josefa encontrou quem lhe atendesse? Não se tem a resposta. (Brasil, 1992)
COM ROSALI FOI ASSIM Rosali tinha 17 anos. Assistia televisão em casa, num bairro da periferia de uma grande cidade, quando decidiu sair para comprar um sanduiche. No caminho, foi interceptada por dois homens e estuprada sob ameaça de uma arma. Assustada, voltou para casa e em companhia da mãe foi à delegacia. Dalí, as duas seguiram ao hospital. Na emergência, recebeu cuidados ginecológicos inadequados para uma situação de violência sexual (ducha vaginal). Dois meses depois ela descobre a gravidez e recorre ao serviço que lhe atendeu na ocasião do estupro. Ninguém sabia o que fazer. A mãe, segura de seus direitos procurou as autoridades. Ela dizia: _ Alguém precisa fazer alguma coisa, essa menina não pode continuar grávida. Ela não procurou isso. Rosali cabisbaixa, apenas chorava. Três meses após a interrupção de gravidez, realizada numa maternidade pública de referência para vítimas de violência sexual, a adolescente deu notícias para quem lhe atendeu: _ Oi doutora, aqui é Rosali, a menina do estupro. Liguei para dizer que estou bem. Arranjei um emprego e voltei a estudar. A vida de Rosali retomava seu curso. (Brasil, 1996)
ADÉLIA Adélia está só em casa. Chega um rapaz à sua residência, pergunta por seus familiares e pede um copo d'água. Adélia dirige-se à cozinha e é seguida. Com uma faca no pescoço ela é estuprada e ameaçada de morte caso revele o fato a alguém. Adélia permanece em silêncio até descobrir que está grávida. Sente medo e vergonha. Conta tudo à sua mãe e não recebe a acolhida esperada. Ela não lhe dá crédito e tampouco a aconselha a prestar queixa ou tomar qualquer outra atitude. Adélia acredita que a falta de informação leva sua mãe a agir dessa maneira. Por iniciativa própria, ela procura a Delegacia da Mulher também esperando um atendimento especial, mas o serviço está em greve. A delegada ausente. Dias depois Adélia consegue ser atendida por ela, afirma que conhece seus direitos e quer realizar um aborto. Sem nenhum tipo de orientação é encaminhada ao IML. É mal recebida pela recepcionista e questionada sobre a demora em prestar queixa. Faz o exame de corpo de delito com uma médica que lhe trata de "forma mecânica". Depois de longa espera para liberação do laudo, Adélia volta a falar com a Delegada. Ao ser inquirida por Adélia sobre em que maternidade poderia interromper a gravidez, "agressivamente" a delegada lhe responde: "eu não posso dizer isso não, você se vire". Sem saber onde fazer o aborto, Adélia procura médicos de sua relação pessoal que lhe indicam um serviço de referência. Neste local ela é atendida por um médico e uma enfermeira - cordiais e gentis, pois, segundo percebe, eles estão acostumados a realizar este tipo de procedimento. Em seguida, Adélia é acompanhada pelo serviço social e orientada sobre o direito de realizar o aborto de forma segura. Durante a internação e realização do aborto Adélia fica só. Nesse momento sente a indiferença de alguns profissionais de saúde que não fazem parte da equipe sensibilizada e treinada para atender vítimas de violência sexual. Uma auxiliar de enfermagem tenta convencê-la a não fazer o aborto dizendo que isso é contra a lei de Deus; que conhece muitas mulheres estupradas que tiveram seus filhos, hoje, considerados bons filhos. Adélia espera uma atitude imparcial e reage: "vocês deviam ser pessoas neutras, porque este não é um problema de vocês, isso é um problema meu, que eu estou tentando resolver... O aborto ocorre durante a noite. Ao término do tratamento, sente-se aliviada. Segura da decisão que havia tomado, ela esperava um acompanhamento diferente dos serviços por onde passou.
SUELENE Suelene foi abusada sexualmente pelo pai durante um ano. Ameaçada com uma faca, ela era obrigada a manter relações sexuais. Sentia-se muito mal, mas com medo ela nada contava para sua mãe. Com a gravidez a mãe descobre o que está acontecendo e juntas vão ao Conselho de Proteção aos Direitos da Criança e Adolescente e à delegacia e ao IML onde foi feito o exame de corpo de delito. O agressor foi preso imediatamente. É encaminhada para tratamento no hospital de referência, sendo atendida por uma equipe com assistente social, psicóloga e médicos. A mãe e uma tia lhe dão apoio durante a denúncia e todo acompanhamento de saúde. Em todos os serviços ela afirma ter recebido um ótimo atendimento, compreensão, apoio e força para superar o que estava acontecendo. Ela decide abortar, porque mesmo considerando o aborto uma agressão para a mulher, não suporta a idéia de ter um filho do próprio pai. Suelene conhecia a lei que permite a interrupção da gravidez por estupro porque assistiu a uma entrevista na televisão onde o assunto foi tratado. Mas, pra ela não foi uma decisão fácil. "Se a gravidez fosse de um namorado eu enfrentaria com unhas e dentes, mesmo sem ajuda do pai eu não abortaria". Após o aborto e o fim do tratamento clínico Suelene sente muito bem. Para ela é importante ter feito tudo dentro da legalidade, "tudo na justiça" e "ele estar preso". Fazer o aborto num serviço público lhe dá a certeza de que não ficaria com problema nem correria risco de vida. Ela diz conhecer casos de aborto, feitos "no silêncio" onde as meninas ficam doentes e até morrem. Ao sair do hospital Suelene tem medo das críticas, mas acredita que o mais importante é o que ela pensa e não a opinião dos outros. Durante o depoimento ela afirma sentir muito ódio pelo pai. Mas o apoio familiar e das instituições públicas parece ter sido - ou estar sendo - fundamental para a superar os problemas associados ao abuso sexual.
ANA LÚCIA Ana Lúcia foi abordada por um rapaz, num ponto de ônibus. Ele lhe chamava insistentemente a Ana, com medo de falar com desconhecidos, seguia adiante. O rapaz aproximou-se perguntando se ela queria trabalhar como recepcionista recebendo dois salários mínimos. Recusando a oferta, Ana disse-lhe que estava apressada e precisava ir embora. Nesse momento, ele passou a ameaçá-la de morte caso gritasse, disse estar com um revólver cheio de bala que poderia descarregar em cima dela. Poderia até obrigá-la a fazer sexo oral, anal e vaginal na frente de todos, pois não tinha nada a perder e até matá-la alí mesmo. Vendo-se sem saída "eu não tive outra opção" Ana Lúcia o acompanhou "olhando só para ele para ninguém desconfiar de nada" como lhe foi exigido. Ele conversava e sorria, e seguiram andando normalmente como se fossem amigos. Ana Lúcia é estuprada num matagal próximo à delegacia. Durante o ato, o agressor faz comentários sobre si mesmo e sua vítima. Revela que saiu do presídio recentemente, onde estava por ter assassinado o responsável pela morte de seu irmão. Faz elogios e comentários agressivos sobre sua vítima: "você é muito ignorante, mas é bonita". Ela chora e lhe pede pelo amor de Deus que pare de lhe tocar. Ele irrita-se, diz não agüentar mais ouvir esse nome, "pare com esse chororô" isso "é o que mais se ouve lá no presídio". Diz não saber porque estava fazendo aquilo com ela, só sabia que não ia parar porque estava bom. Pergunta se ela tem dinheiro. Lhe pede uma foto de lembrança, aponta para a casa onde mora. Recomenda que ela vá embora sem olhar para trás e não o denuncie, senão ele rodará os quatro cantos do mundo para encontrá-la e matá-la junto toda a família. Após a agressão, com medo de contrair HIV, Ana Lúcia dirigiu-se à Casa da Cidadania para pedir auxílio. Acompanhada por uma assistente social, ela foi ao Departamento de Proteção da Criança e do Adolescente, mas pode ser atendida porque era maior de 18 anos. Prestou queixa na delegacia, fez o exame no IML e foi encaminhada para o serviço de saúde de referência. Ana Lúcia considera que recebeu um bom atendimento em todos os serviços por onde passou, mas acredita que foi assim porque a assistente social esteve ao seu lado todo o tempo. Ela recomenda que os serviços sejam mais ágeis e ressalta a necessidade de haver profissionais especializados para atender as pessoas vítimas de violência "porque uma pessoa assim precisa de muita atenção". Ela ressalta a importância do médico ter sido atencioso, ter ficado preocupado por ela estar em período fértil, ter tomado as providências com rapidez.
CRISTINE Ao nascer, Cristine não foi aceita pelo pai sendo criada pela avó materna. Ele queria que o primeiro filho fosse homem. Quando completou sete anos, sonhando conviver com seu pai, mãe e irmãos ela foi morar com os pais. Logo de início ele a proibiu de fica no mesmo quarto dos irmãos e colocou-a para dormir na sala. À noite, com todos dormindo ela passa a ir até onde Cristine dorme. Toca-lhe o corpo, alisa seu peito e ao perceber seu choro a ameaça. Coloca um revólver do seu lado e avisa que se contar a alguém ela morre. Cristine é abusada dos sete aos treze anos. O pai faz um buraco na parede do banheiro para lhe observar durante o banho. Ele lhe diz que ninguém pode com ele, que "aqui na terra ele pode mais que Deus. O medo "me fraquejava". Ela temia não ser mais virgem. Cristine sente-se uma escrava em sua casa. É tratada de modo diferente dos irmãos, realiza todas as tarefas domésticas e não entende o motivo. Acha-se rejeitada e perseguida pelos pais. Apanha com chicote, leva murros do pai e surras da mãe. Num dado momento decide contar para a irmã e uma prima o que acontece durante a noite. A prima lhe aconselha falar com a mãe. Esta, não acredita, ou melhor diz que ela deve estar dando motivo para isso acontecer e passa a ameaçá-la. Sempre que fazia algo errado ou deixa alguma tarefa doméstica sem realizar, a mãe avisa que vai contar ao marido o que ela lhe contou. "Ela usava isso pra cima de mim como se fosse uma arma". Cristine sente-se vigiada. Não pode sair só de casa nem conversar com ninguém, um dos pais está sempre por perto. Ela não sabe a quem pedir ajuda. Até que, num certo dia, conversando com uma funcionária da biblioteca da escola onde estuda, Cristine relata sua história e é levada a um serviço de saúde de referência. Faz exame clínico e ginecológico, acompanhamento psicológico e é apoiada na processo de saída de casa. Ela vai morar com um primo que solicita sua guarda à justiça e denuncia o pai. O delegado quer provas para prendê-lo e lhe sugere: "você deixa seu pai lhe espancar... e depois que ele lhe espancar bem muito você corre pra cá!". Ela lhe faz uma contra-proposta: abrir uma sindicância no local onde ela reside para investigar quem ele é. Após prestar queixa ela faz o exame de corpo de delito. Fica aliviada por ainda ser virgem. Os pais de Cristine continuaram ameaçando-a por longo tempo, acusaram-na de prostituição, de levantar falso testemunho e não foram punidos pelos crimes que cometeram. Sobre os serviços, Cristine avalia muito bem o setor saúde. Ela teve todo acompanhamento necessário, compreensão e apoio. Mas, para ela, os setores que poderiam impedir que ela continuasse sendo agredida pelo pai não atuaram de modo adequado. Lentos e inoperantes na resolução de seu problema, ela sugere à delegacia, ao IML e à Procuradoria que sejam mais eficientes no cumprimento de suas responsabilidades.
ADELINA Adelina voltava de uma festa, com uma amiga e o marido. No caminho de casa, eles foram abordados por três rapazes armados de revólver. Era um assalto. O marido da amiga foi imobilizado e sua mulher ameaçada de morte. Adelina foi espancada pelo assaltante que percebeu sua tentativa de esconder alguns pertences. Ele lhe puxou pelos cabelos, lhe deu murros, coronhadas de revólver e atirou duas vezes bem próximo de seus ouvidos. Em meio a todas essas agressões ele a empurrou para o lado de uma barraca que havia na calçada, um local mais escuro, e a estuprou. Um segundo assaltante aproximou-se também para violentá-la e lhe mordeu os seios. Com medo de alguma doença, com medo da Aids, sentindo muitas dores, nojo e raiva dos agressores, Adelina teve medo também de chegar em casa naquelas condições e ser responsabilizada pelo marido, do que ocorrera. Foi até a casa de sua mãe e não conseguiu acordá-la. Decidiu dormir na casa da amiga. No dia seguinte foram a um hospital onde foi examinada (mas não medicada) e encaminhada ao serviço de referência. Era domingo, não havia pessoal preparado para atendê-la. Ela não foi examinada, nem recebeu qualquer orientação. Oportunidade perdida. Pediram-lhe que retornasse no dia seguinte. Voltou ao serviço dois dias depois por insistência do marido. "Você vá. Você não conhece esses maus elementos, não sabe o que eles têm, é melhor fazer um exame, senão eu não quero nada com você não". Nessa consulta foram tomadas as providências para anticoncepção de emergência e profilaxia de doenças sexualmente transmissíveis e iniciado o acompanhamento psicológico. A demora na entrega dos exames é a única queixa de Adelina em relação aos serviços de saúde. O atendimento da equipe especializada foi considerado muito bom. Sentiu-se protegida. Recomenda apenas mais agilidade nos resultados dos exames. O marido de Adelina, de fato só acreditou que a mulher foi agredida depois da confirmação médica e só passou a ajudá-la depois de conversar com a psicóloga. Até então, ele acreditava que ela era a culpada e ameaçou-a com a separação caso o teste anti-HIV fosse positivo. Ao deixar o hospital, Adelina procurou a amiga para prestar queixa, porque ela havia reconhecido um dos agressores pela voz. A amiga, recusou-se a testemunhar e se Adelina quisesse que prestasse queixa sozinha, esquecesse que estava acompanhada . Com medo de uma possível vingança, Adelina desistiu de denunciar os assaltantes. Não obstante, dois foram presos ao assaltar e ferir um policial. Um deles tinha uma tatuagem no braço. O pai de Adelina fez o reconhecimento na delegacia a partir de suas informações. Adelina mudou de opinião frente ao problema da violência sexual. Para ela isso não existia, as mulheres que diziam ter sofrido estupro estavam inventando e por isso não mostravam a cara quando falavam na televisão. Agora não. Ele entende os motivos que uma mulher tem para não querer mostrar o rosto nem falar do assunto depois de agredidas sexualmente. Mesmo assim, ela recomenda as mulheres vítimas de violência denunciem os agressores.
SEGUNDA FEIRA DIA DE COMEÇAR UMA NOVA VIDA MUITO MAIS RENOVADA AINDA, TENHAM UM BOM DIA!!!